sábado, maio 05, 2007

LEONARDO di Ser Piero DA VINCI
1452 – 1519

Leonardo da Vinci nasceu em 15 de abril de 1452, na cidade de Vinci, perto de Florença, e faleceu em 2 de maio de 1519, na França. Além de fazer muitos trabalhos artísticos, com o retrato de "Mona Lisa", "Del Giocondo", conhecida por "La Gioconda" e "A Última Ceia", foi poeta, matemático, arquiteto e engenheiro militar. Realizou desenhos e projetos em matemática, perspectiva, ótica, mecânica, balística, fortificações, hidráulica e astronomia, projetando também uma máquina para voar. Dedicou-se a vários problemas astronômicos e mostrou alguma evidência de fatos favoráveis à hipótese de que a Terra girava ao redor de seu eixo de rotação, idéia esta não aceita em sua época.
Seus cadernos eram recheados de desenhos e símbolos e observações que iam da acústica ao zodíaco. Começou estudando a ciência do movimento, via na força da água um propulsor das máquinas, acreditava que seu movimento e deslocamento era a chave da vida no mundo. Para Leonardo da Vinci, o sol não se movia e a Terra não estava no centro de sua órbita, nem no centro do universo. Acreditava ser a matemática a mais pura de todas as ciências, pois, revelava todas as leis e necessidades da natureza.
Como inventor, Leonardo previu o papel que as máquinas desempenhariam com eficiência e produtividade, isso porque seus desenhos constituem a primeira visão da revolução industrial que ocorreria mais de trezentos anos depois. Na área têxtil, desenhou um fuso móvel, um dispositivo para tornos, e para os metalúrgicos, um conjunto automático para rosca e parafuso.
Um dos estudos mais interessantes foi a elaboração de um instrumento que pudesse voar. Utilizou como modelo as asas de um morcego. Alongadamente às estruturas interdigitais do animal, construiu o instrumento voador, cujas funções eram a sustentação e o comando. Em muitos de seus inventos, utilizou as "asas móveis", que eram movidas através de alavancas e manivelas, manipuladas por um operador que ficava sentado e com as pernas abertas. (Fonte:
www.museutec.org.br )


amora

guardo em mim
o teu aroma mais doce
de uma noite de outono
que ainda não passou

gosto de fruta madura
a molhar meus lábios
nestas longas noites
de espera

© Ademir Antonio Bacca
do livro em preparo”Grito por dentro das Palavras”

sexta-feira, abril 20, 2007

Arte: "On Stage" © Ben Goossens

COTIDIANO

Eu canto
a agonia do homem
que cai do andaime
no meio da tarde vazia
e a dor das mãos angustiadas
que não se encontram
na hora do adeus;

eu canto
as lágrimas de sangue
do palhaço crucificado
no centro do picadeiro
e a insensatez
do bêbado-equilibrista
que faz seu número
no meio da calçada
pra platéia nenhuma;

eu canto
a ingratidão do ofício
de juntar as peças
deste mosaico estranho
que resolveram batizar
de cotidiano.

© Ademir Antonio Bacca
do livro em preparo: “Panis et Circenses”
ABSTRATO 0149 © Adebach
Técnica: Fractal — Programa: Apophysis

veredicto

terão sido
completamente inúteis
as palavras que escrevi
em versos
de se perder a conta,
se não encontrar
a ponta do fio
que desate
todos os meus nós


© Ademir Antonio Bacca


POEMA VI

© PABLO NERUDA

Te recordo como eras no último outono.
Eras a boina cinza e o coração em calma.
Em teus olhos pelejavam as chamas do crepúsculo.
E as folhas caiam na água de tua alma.

Apegada a meus braços como uma trepadeira,
as folhas recolhiam tua voz lenta e em calma.
Figueira de estupor em que minha sede ardia.
Doce jacinto azul torcido sobre minha alma.

Sinto viajar teus olhos e é distante o outono:
boina cinza, voz de pássaro e coração de casa
fazia onde emigravam meus profundos anseios
e caiam meus beijos alegres como brasas.

Céu desde um navio. Campo desde os cerros.
Tua recordação é de luz, de fumaça, de tanque em calma!
Mais além de teus olhos ardiam os crepúsculos.
Folhas secas de outono giravam em tua alma.

(Retirado de: Vinte poemas de amor e uma canção desesperada)
Tradução: Maria Teresa Almeida Pina
pano de fundo

por trás destes olhos
perderam-se encantos tantos
de se perder a conta

quantos sonhos banharam-se
neste azul que enfeitiça?

quantas paixões naufragaram
em águas tão traiçoeiras?

por trás deste olhar
palavras desavisadas
estilhaçam-se feito vidro
no caminho de bala perdida.

© Ademir Antonio Bacca

de vez
em quando
meus olhos
se fazem
rio
por aquilo
que não
fui.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

desejos
são sementes
de sonhos
que espalhamos
pelas noites
insones.

por isso
tantas manhãs
de pura fantasia.

© Ademir Antonio Bacca

sexta-feira, abril 06, 2007


Arte: Manuel Lao

MURMÚRIO

CECILIA MEIRELES
1901 – 1964

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
— vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
— vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
— Vê que nem te digo — esperança!
— Vê que nem sequer sonho — amor!

(colaboração: Ângela Weingartner Becker)
Arte: Rui Duarte


“A língua é nossa pátria,
pobre e sofredora pátria,
tão mal-ensinada,
tão mal-aprendida,
inflada grotescamente
de estrangeirismos inúteis.”

JOSÉ SARAMAGO

batidas
de asas
inúteis

viagem
que não leva
a verso nenhum

a madrugada
se faz longa demais
para todo aquele
que tem pressa
de voar

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: Henrique Rodrigues Pinto
“Estilo é a deficiência
que faz o sujeito escrever
sempre do mesmo jeito.”

MARIO QUINTANA
1906-1994

Abstrato 0148 © adebach/2007 - Técnica: Fractal
do encantamento

tuas asas abertas
sobre o meu corpo

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: Restrepo
"Eu sou como um rio que continua a correr,
carregando as árvores que crescem muito perto dos bancos,
carcaças abandonadas
e as várias espécies de micróbios que proliferam em suas águas.
Eu absorvo tudo isso e continuo em meu caminho."

PABLO PICASSO
1881 / 1973

estiagem

quando
a fonte seca
é preciso
reativar
as vertentes

mesmo
que falte
vontade
para afastar
as pedras.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

“Se os líderes
lessem poesia,
seriam mais sábios.”

OCTÁVIO PAZ
1914 - 1998
tantas
as feridas abertas
sangrando à toa
na madrugada
de palavras rudes
e intenções de abandono

sangra a paixão
o gesto derradeiro
e eu me deixo ficar
quieto no meu canto
porque sei que de nada
serve um dia
que não me traga
uma surpresa sequer

© Ademir Antonio Bacca

segunda-feira, março 26, 2007

Arte: "Summer Season" © Homo Novus

da impotência

Nada a dizer
ante os teus
olhos tristes.

Nada a fazer
ante os teus
lábios mudos.

© Ademir Antonio Bacca
Arte: "a boys dream" © Ben Goossens

Arte: Willian
GRACILIANO RAMOS nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Em 1933, publica “Caetés” e no ano seguinte, “São Bernardo”. Preso em 1936, acusado de ser comunista, deixa a prisão em 1937. Em 1938, publica “Vidas Secas”. Seis anos depois “Histórias de Alexandre” chega às livrarias. No ano seguinte, publica o livro de memórias “Infância” e em 1947 sai “Insônia”.
Morre no dia 20 de março de 1953. Postumamente foram publicados “Viagem” e aquele que seria, ao lado de “Vidas Secas”, o seu livro mais famoso, “Memórias do Cárcere”. Nos anos 60, outros dois livros de Graciliano chegavam às livrarias: “Viventes das Alagoas” e “Linhas Tortas”.
Pelas coincidências desta vida, no dia 20 de março de 1992 – mesmo dia do mês e da semana – quase com a mesma idade do pai, morria o escritor Ricardo Ramos.

do silêncio que fala

tem dias que calo
não pelas palavras
que me tiraram
e sim
pela saudade dos amigos
que me faltam

calado,
me entrego à lembranças
que dispensam palavras
e giram o moinho de água
dos meus olhos

tem dias que calo
e me digo mais palavras
do que quando falo

calado
reinvento alegrias,
recupero vozes
e dou movimento a imagens
que se perderam no outro lado
das pontes caídas

tem dias que calo
e mesmo assim,
falo

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: Quinho

Pai da soul music brasileira, TIM MAIA nasceu no dia 28 de setembro de 1942. Em 1957, fundou no o grupo de rock Os Sputniks, do qual participaram Roberto e Erasmo Carlos. Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde entrou em contato com a soul music, chegando a participar de um grupo vocal, o The Ideals. Em 1969, gravou em dueto com Elis Regina a sua composição “These Are The Songs”. A projeção rendeu um convite para gravar seu primeiro LP, que obteve grande sucesso graças às músicas “Primavera” e “Azul da Cor do Mar”, até hoje tocadas nas rádios. Depois intercalou fases de altos e baixos em sua carreira, voltando a emplacar músicas nas paradas de sucesso nos anos 80 e 90.
Em 1998, no show no Teatro Municipal de Niterói, que seria gravado para um especial de TV, sentiu-se mal, vindo a falecer uma semana depois, no dia 15 de março.




álibi

depois
de pronto
o poema
não volto mais
a ele

sou daqueles
que nunca voltam
ao local do crime

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

sábado, março 17, 2007

Arte: "Masque V" © Juan Alberto

timidez

quando digo ternura,
lembro você.

quando digo paixão,
lembro você.

quando digo raiva,
lembro você.

quando vejo você
não digo nada.

© Ademir Antonio Bacca


PAULO BRASIL GOMES DE SAMPAIO, o SAMPAULO, foi um dos maiores chargistas brasileiros de todos os tempos. Gaúcho de Uruguaiana, colaborou com os principais jornais do Rio Grande do Sul e com alguns alternativos do Brasil, como o Pasquim. Morreu alguns anos atrás, mas toda vez que vejo um trabalho seu me bate uma saudade daquela tarde de outubro de 1980, regada a todos os vinhos possíveis, quando aqui em Bento Gonçalves fizemos a primeira Mostra de Cartuns. Considero essa charge aí de cima uma das mais engraçadas que já se fez no Brasil e há muito que eu queria dividi-la com vocês.



Poeta francês que figura entre os iniciadores do simbolismo, STÉPHANE MALLARMÉ, Nasceu em Paris no dia 18 de março de 1842. Mallarmé se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pude resultar em um texto às vezes obscuro. Seus poemas mais conhecidos são L'APRÉS-MIDI D'UN FAUNE (1876), que inspirou o prelúdio homônimo do compositor francês Claude Debussy, e Herodias (1869). Outras obras importantes de Mallarmé são a antología Verso e prosa (1893) e o volume de ensaios em prosa Divagações (1897).
morreu em 1898, em Paris, sem ter chegado a concluir a grande obra de sua vida. A Grande Obra, com letra maiúscula, é um projeto que ele revela em cartas, em correspondências a amigos.


BRINDE

STÉPHANE MALLARMÉ
1842 – 1898

Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.

Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;

Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde

Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.

caixa de Pandora

da infância
trouxe bem fechadas
uma caixa de medos
e outra de coisas proibidas

a dos medos
continua dentro de mim
ainda fechada,
embora de vez em quando
escape um

a das coisas proibidas
abri num descuido
num tempo qualquer
e desde então
nunca mais as minhas noites
foram iguais.


© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: Tibet


“A mente que se abre
a uma nova idéia
jamais voltará
ao seu tamanho original”

ALBERT EINSTEIN
14/03/1879 – 18/04/1955



Antônio Frederico de CASTRO ALVES, poeta, nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847. É o patrono da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Valentim Magalhães.
Morreu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871, aos 24 anos, sem ter podido acabar a maior empresa que se propusera, o poema “Os escravos”, uma série de poesias em torno do tema da escravidão.

o poema não é bolero
duas palavras pra lá,
duas pra cá,
fácil de dançar

no poema,
a boa palavra desliza
com desenvoltura
pelo retângulo de papel
que a noite estende
diante do poeta.

o poema não é bolero
duas palavras pra lá,
duas pra cá
nem que tem que ser
obrigatoriamente triste

todo poema
é teia de emoções
difícil de se safar.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

quinta-feira, março 08, 2007


Arte: "Creations" © Al Magnus
quase manhã
e nada de ti

nem do teu cheiro

lá fora
só o ruído
de gente
que não passa.

© Ademir Antonio Bacca
Arte: Fraga

"Eu sou um escritor
que ainda prefere
olhar o mundo
com os olhos
da imaginação."

MOACYR SCLIAR
in memorian de vadis arconti

o rio que tanto gostavas
agora corre aos teus pés.

na barranca onde plantavas
teus sonhos
repousas agora para o sempre
embalado pelo vai e vem das águas
que balançam os sarandis.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
Abstrato 0143 © adebach/2007
Técnica: Fractal - Programa Utilizado: Apophisys 2.0
hibernação

no berço
das noites de inverno
eu acalento o sono
dos meus sonhos
mais frágeis
com o calor
da tua lembrança

© Ademir Antonio Bacca

quarta-feira, março 07, 2007

Arte: Restrepo
“Estou sempre alegre,
essa é a minha maneira de resolver
os problemas da vida.
Tenho a impressão de que as pessoas
estão perdendo o dom do riso.”

CHARLES CHAPLIN
1889 - 1977

terça-feira, março 06, 2007

Arte: Cast
2007 – UM ANO MUITO ESPECIAL PARA GARCIA MARQUEZ
GABRIEL GARCIA MARQUEZ, um dos maiores nomes da literatura universal, viverá em 2007 um ano muito especial. Não bastasse comemorar neste dia 6 de março os seus 80 anos de vida, há exatos quarenta anos publicava o livro que o tornou conhecido em todo o mundo, “Cem Anos de Solidão”. Não fosse o suficiente para que o ano fosse especial, também 2007 marcará os 25 anos da conquista do Prêmio Nobel de Literatura. “Gabo” será homenageado no final deste mês, entre os dias 26 e 29, na cidade colombiana de Cartagena, onde acontece o 4º Congresso Internacional da Língua Espanhola. Dentro das inúmeras homenagens que lhe estarão sendo prestadas, o governo colombiano anunciou que vai reconstruir a casa onde o escritor nasceu. Atualmente Garcia Marquez trabalha no volume dois das suas memórias, cujo volume 1, “Viver Para Contar” figura há muito nas listas dos livros mais vendidos.

sexta-feira, março 02, 2007

Arte: "Eagle's nest" © Ben Goossens

da boemia

enquanto a noite for assim
(mistério)
por certo me encontrarás
brigando com meus fantasmas
ou a perambular minhas indecisões
pelas mesas dos seus bares

enquanto a noite for assim
(armadilha)
por certo estarei driblando o fio da teia
que ela tece com a pressa das horas
para surpreender os incautos

enquanto a noite for assim
(luz e música)
por certo me encontrarás
correndo todos os riscos,
seduzido pelo seu canto irresistível

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”
Arte: Clarice Lispector by Loredano

“Escrever
é o modo de quem tem a palavra
como isca:
a palavra pescando
o que não é palavra.”

CLARICE LISPECTOR
(1920-1977)

há demasiados vestígios teus
em mim

por isso a noite não passa.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
LEMBRANÇA DE VIAGEM

Florença é uma cidade que não me sai da cabeça, ímã que me atrai. Foi lá meu primeiro encontro com a obra de Michelangelo, no meio da praça. Davi ali diante dos meus olhos, para nunca mais esquecer.


O GRANDE GÊNIO RENASCENTISTA


No dia 6 de março de 1475, nascia em Caprese, província florentina, na Itália, o mestre do Renascimento Michelangelo Buonarotti. Entre as obras do arquiteto, escultor e pintor estão a Pietá, o Davi e, com certeza a mais conhecida de todos, a abóbada da Capela Sistina. Em 18 de Fevereiro de 1564, Michelangelo morre em sua cama. Como testamento, o artista pediu que seu corpo regressasse a Florença, pois estava doando sua alma a Deus e seu corpo à terra.


Arte: "Alimento" © Angel Boligán
MURMÚRIO

CECILIA MEIRELES
1901 – 1964

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
— vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
— vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
— Vê que nem te digo — esperança!
— Vê que nem sequer sonho — amor!

(colaboração: Ângela Weingartner Becker)


NOSTRADAMUS: 452 ANOS DE “OS SÉCULOS”


Michel de Notredame, mais conhecido como Nostradamus, publicou no dia 1º de março de 1555 o livro “Os Séculos”, contendo profecias sobre o futuro da humanidade. Médico, astrólogo, teólogo e alquimista ele ganhou fama mundial com suas "centúrias" de linguagem hermética e aparentemente indecifráveis. Nasceu no dia 14/12/1503, na cidade de Saint Rémy de Provence, no sul da França, e morreu no dia 02/07/1566, na cidade de Salon. Foi sepultado na igreja do Convento de Cordeliers e seu túmulo ainda está lá, acompanhado de um retrato, e pode ser visto ainda hoje.

da falta de inspiração

a folha
em branco
é o latifúndio
improdutivo
do poeta.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Arte: "Masque à Venice" © Juan Alberto

Era isso, John?

beber
as emoções todas
no cálice da ousadia;

sonhar
todos os sonhos imagináveis
da maneira mais louca possível;

quebrar
todas as regras de comportamento

e desafiar
todas as leis,
em todos os países.

E depois, John,
vestir paletó e gravata
e renegar o tempo
que passou?

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: "Shaskespeare" © Olbinski

“Nossas vidas são tecidas
pelo mesmo fio
dos nossos sonhos.”

WILLIAN SHAKESPEARE

Arte: Liberati
Que toda palavra
nasça
da ação e da meditação.
Sem ação
ou tendência à ação
ela será apenas teoria
que está levando os jovens
ao desespero.

Se ela é apenas ação
sem meditação
ela acabará no ativismo
sem fundamento,
sem conteúdo,
sem força...

Presta honras ao Verbo eterno
servindo-te da palavra
de forma
a recriar o mundo.

© D. HELDER CÂMARA
07/02/1905 – 27/08/1999

Arte: "Protection" © Angel Boligán

carpintaria

escrever um poema
é serviço de carpintaria

a habilidade de martelar um prego
tem a ver com a sutileza de uma palavra
esparramando-se na folha de papel

a paciência de buscar a palavra certa
num ninho de fantasias
tem a ver com a firmeza
em acertar o encaixe de cada tábua

assim como sabe o carpinteiro
ser fundamental a sincronia de prego e martelo,
o poeta precisa dosar realidade e fantasia
em cada paixão a que se entrega

escrever um poema
é serviço de carpintaria:
árduo e cansativo,
algumas vezes repetitivo
como a luta entre o prego
e o martelo

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”


Fonógrafo


No dia 19 de fevereiro de 1878, o inventor norte-americano Thomas Edison patenteia o fonógrafo. Edison é até hoje o maior inventor de todos os tempos, tendo sido autor de 1093 inovações, entre elas a lâmpada elétrica.

Arte: Baptistão

"A cada dia que vivo mais me convenço
de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca.
E, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade."

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
1902-1987
não quero saber
dos teus segredos
nem da tua história

de ti
me basta o mistério
daqueles que desembarcam
dos sonhos
das madrugadas furtivas
e se lançam ao mar
sem medo da tempestade

© Ademir Antonio Bacca


“É preciso desterrar totalmente a idéia
de que o homem que ocupa uma função
de dirigente de massas tenha algo mais a dizer
do que o resto do povo.
O dirigente é apenas um representante do povo.”


CHE GUEVARA
(1928-1967)

ao natural

há aqueles
que inventam a paixão
ao seu jeito

nos mínimos detalhes

eu sou dos que
acreditam que a pólvora
não precisa ser inventada
duas vezes
e deixo o amor acontecer
do jeito que ele vier

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”


CARTA DE EDUARDO GALEANO ENDEREÇADA AO FUTURO


Prezado Senhor Futuro,
Com a minha maior consideração:
Estou lhe escrevendo esta carta para pedir-lhe um favor. O senhor saberá desculpar-me o incômodo.
Não, não tema, não é que queira conhecê-lo. O senhor há de ser muito solicitado, haverá tanta gente que quererá ter o prazer; mas eu não. Quando alguma cigana me toma a mão para ler-me o porvir, saio correndo em disparada antes que ela possa cometer tal crueldade.
E, no entanto, você, misterioso senhor, é a promessa que nossos passos perseguem querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde o senhor nos espera. A mim e aos muitos que não acreditamos nos deuses que nos prometem outras vidas nos mais longínquos hotéis de Mais Além.
E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma.
Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estar, para ser, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo.
Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois.
Saúda-te atentamente,

Um Terrestre


© EDUARDO GALEANO — Tradução: Verena Glass

sábado, fevereiro 10, 2007

Arte: "Electra" © Jody Harmon

isca

a
poesia
é
anzol
jogado
ao
acaso
no
meio
da
vida

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: Carlinhos
PIXINGUINHA

Se alguém disser “Alfredo da Rocha Vianna Filho”, pouca gente vai saber de quem se está falando. Mas se disser “Pixinguinha”, aí todo mundo saberá que a referência diz respeito a um dos maiores gênios da história da música popular brasileira de todos os tempos.
Com um domínio técnico e um dom de improvisação encontrados nos grandes músicos de jazz, é considerado o maiorflautista brasileiro de todos os tempos, além de um irreverente arranjador e compositor. Entre suas composições de maior sucesso estão “Carinhoso”, “Lamento” e “Rosa”. Na década de 1940, sem a mesma embocadura para o uso da flauta e com as mãos trêmulas devido à sua devoção ao uísque, Pixinguinha trocou a flauta pelo saxofone, formando uma dupla com o flautista Benedito Lacerda. Fez uma parceria famosa com Vinícius de Moraes, na trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, em 1962.
Morreu no dia 17 de fevereiro de 1973.


Em fevereiro de 1922, jovens poetas, escritores e artistas liderados por Mario e Oswald de Andrade reuniram-se para organizar três festivais, que seriam apresentados no Teatro Municipal de São Paulo. O objetivo era revolucionar a arte brasileira e romper de vez com o academicismo presente nas artes plásticas, na literatura e na música. Influenciados pela vanguarda artística européia, formada por surrealistas, futuristas e dadaístas, os modernistas paulistas desejavam expor o que acreditavam ser uma " nova arte nacional", criada a partir da "antropofagia cultural", que, segundo eles, seria a característica básica da sociedade brasileira. Isto tudo aconteceu nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro e o evento acabou entrando para a história como “Semana de Arte Moderna” e acabou sendo o divisor das águas no cenário cultural brasileiro do século passado.



cais

em ti
aporto versos
mal feitos
e medos
acumulados
em temporais
que, por pouco,
não me levaram
a pique

em teus braços
ancoro palavras
e sonhos cansados
de tudo que vem do mar
feito onda que não cansa
de dar na praia

em ti
aporto sonhos
de palavras
que rasgam as trevas
e anunciam novas manhãs.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

Arte: Alalé
JULIO CORTÁZAR

No dia 12 de fevereiro de 1984, a literatura latino-americana perdia um dos seus nomes mais expressivos. Nascido em Bruxelas em 1914, JULIO CORTÁZAR produziu uma obra que explorou as fronteiras entre realidade e inrealidade e foi apontada pela crítica como uma das mais representativas da ficção fantástica de nosso tempo. Iniciou a vida como professor secundário em Buenos Aires e depois recusou uma cátedra universitária, por opor-se ao regime peronista. Contratado como tradutor pela UNESCO (1952), radicou-se em Paris e tornou-se cidadão francês (1982). Estreou na literatura com o poema dramático Los reyes (1949) seguido do seu primeiro livro de contos, Bestiário (1951). Morreu em Paris. De todos os seus livros, o meu preferido é “O Jogo da Amarelinha”.
o fio imaginário
que divide a razão
e a paixão
torna toda travessia
perigosa batalha emocional

se ganha a razão,
enfraquece-se a paixão

se ganha a paixão,
fortalece-se a insensatez

na verdade,
o fio imaginário
que existe entre a razão e a paixão
deveria ser estopim
para incendiar todas as madrugadas
vazias

© Ademir Antonio Bacca
Arte: El Paco
BOB MARLEY

Cantor, compositor e guitarrista, Robert Nesta Marley nasceu em St. Ann, na Jamaica, no dia 6 de fevereiro de 1945. Ex-integrante da banda The Waillers, da qual participavam também Peter Tosh e Bunny Livingson, foi o responsável pela difusão do reggae para o mundo. Mesmo com sua morte prematura devido a um melanoma, em 11 de maio de 1981, ainda hoje suas músicas são ouvidas por uma legião de fãs espalhados pelos quatro cantos do continente.
não arrumo os livros
jogados ao acaso
nas prateleiras

nem a roupa
nas devidas gavetas

não arrumo a vida
em emoções antecipadas

nem tenho
a gaveta de sonhos
permanentemente fechada
a sete chaves

a vida eu levo
do jeito que dá

© Ademir Antonio Bacca
Arte: gravura em cobre de Fernando Gomes
Um dos maiores épicos portugueses, LUIZ VAZ DE CAMÕES, nasceu no dia 04 de fevereiro de 1524, em Lisboa. É conhecido há séculos, principalmente pela obra “Os Lusíadas”. Amplamente traduzido e admirado, é considerado por muitos a figura maior da língua e da literatura portuguesas. São suas a coletâneas das Rimas (1595, obra lírica), o Auto dos Anfitriões, o Auto de Filodemo (1587), o Auto de El-Rei Seleuco (1645) e Os Lusíadas (1572). Morreu em 1580.

Amor é fogo que arde sem se ver

© Luis Vaz de Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


memória

não é tristeza
que traça o mapa
da velha cidade
que ainda se desenha
dentro de mim.

só saudade do que ela foi.

© Ademir Antonio Bacca