Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Foto: © Agencja Gazeta

Morre a poeta Wislawa Szymborska, 
Nobel de Literatura de 96

A poetisa polonesa Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996, morreu nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, aos 88 anos na Cracóvia vítima de um câncer de pulmão.
"Morreu em casa, tranqüila, enquanto dormia", disse à imprensa seu secretário pessoal, Michal Rusinek, lembrando que a escritora foi sempre um fumante incorrigível apesar das constantes advertências dos médicos.
Embora Wislawa, nascida em Kornik, no oeste da Polônia, em julho de 1923, fosse a poetisa mais conhecida da Polônia, teve que esperar até a concessão do Nobel em 1996 para que sua obra chegasse ao resto do mundo.
A autora destacou-se por uma poesia cheia de humor e pela habilidade em usar trocadilhos, presente desde seu primeiro poema publicado em um jornal local em 1945.

(Fonte: Jornal Folha de São Paulo On Line)

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Arte: "Pescador de Estrelas" © Chubasco
nem tudo
que cai na rede
é peixe

nem tudo
que fica no papel
é poesia

a noite é armadilha
em qualquer esquina
para peixes e poetas
desavisados


© Ademir Antonio Bacca
Do livro “Grito por dentro das palavras”
Texto & Arte: Jiddu Saldanha
Imagem: Rene Hass - Caminhos de Pedra - Bento Gonçalves/RS


moinho

água
a mover lentamente
o moinho dos olhos
tem dias
que meu coração
é todo saudade
de um rio
que não existe mais


© Ademir Antonio Bacca
Do livro “Grito por dentro das palavras”
 
Arte: Lucho Luna

“É mais fácil obter o que se deseja
com um sorriso do que
com a ponta da espada.”


WILLIAM SHAKESPEARE
1564 - 1616

daquilo que me prende

é noite
e repouso o corpo
no silêncio das palavras
que não vêm

(a palavra que acalma o gesto...
a palavra que embala verso)

é noite,
fecho o livro
e repouso o corpo
na busca da lembrança que me falta

(vestígios da cidade que o concreto escondeu...
a voz dos amigos que o tempo calou)

é noite
e meu corpo tem amarras
que o prendem à beira do cais


© Ademir Antonio Bacca
Do livro “Grito por dentro das palavras”
já não passa o velho trem cansado
a despertar as manhãs
com seu apito ensandecido

dos anos que se foram
restou o galo teimoso
que ainda insiste em me devolver à vida
ao primeiro vestígio do amanhecer
e a saudade do velho trem
que não passa mais...


© Ademir Antonio Bacca
toda
palavra
mal
dita
dói
mais
que
unha
encravada

© Ademir Antonio Bacca
Arte: Camaleão

“As pessoas têm medo
das mudanças.
Eu tenho medo
que as coisas nunca mudem,”

CHICO BUARQUE DE HOLLANDA
do hábito de ler

já vivi de sonhos
alimentados por palavras
de livros tantos

já dei voltas no mundo
e atravessei as pontes do inimaginável
na carona de meus autores preferidos

hoje,
vivo atormentado
pelas letras de sangue
que escrevem
as páginas dos jornais

© Ademir Antonio Bacca

Quinta-feira, Janeiro 12, 2012

Arte: Cavalcanti

“ A poesia existe nos fatos.
Os casebres de açafrão e de ocre
nos verdes da favela,
sob o azul cabralino,
são fatos estéticos.”

OSWALD DE ANDRADE

1890 - 1954


Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

Arte: “Nefrectomia “ © Danielle Manfredini
cosmogonia 2
© Artur Gomes
http://goytacity.blogspot.com


a dor atravessa o país
num espelho d´água
quantas vidas quantas cheias
quantas secas quantas mágoas
o planeta devolve o tapa
que o homem dá no planeta
em seu estado de calamidade

terra,
não sei mais por quantos séculos
suportará a agonia
de chorar a sua dor com tempestade

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011


RECEITA DE ANO NOVO

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE 
(1902 - 1987)
 Arte: Lézio Jr

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.