nem todo poema
tem a pressa do rio
nem paciência
para moldar o caminho
ao redor da pedra
o poeta tem
tem a pressa da palavra
há dias
que ela flui fácil
tem vezes
que ela é mais dura
do que a pedra
no meio do rio.
© Ademir Antonio Bacca
poeta, escritor, contista, jornalista, radialista, pesquisador e produtor cultural
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
ajustes
retoco o sonho
na memória
com o pouco de verdade
que me resta:
o poema consola
mas não tem bússola
que o oriente
nas coisas do coração
refaço o sonho
com toda cautela,
mas algumas vezes
não tem jeito:
aquilo que mais queremos
está mesmo no outro lado
do arco-íris
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice” (a sair)
retoco o sonho
na memória
com o pouco de verdade
que me resta:
o poema consola
mas não tem bússola
que o oriente
nas coisas do coração
refaço o sonho
com toda cautela,
mas algumas vezes
não tem jeito:
aquilo que mais queremos
está mesmo no outro lado
do arco-íris
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice” (a sair)
pedra
pelas coisas que não compreendo
muitas vezes abro meu corpo em velas
e me lanço em águas inquietas
pelo que não sei
tantas vezes mergulhei
em madrugadas que não tiveram fim
e nunca me levaram a lugar algum
pelas coisas que não compreendo,
o silêncio se fez pedra em teu olhar
esfinge prestes a me devorar
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice” (a sair)
pelas coisas que não compreendo
muitas vezes abro meu corpo em velas
e me lanço em águas inquietas
pelo que não sei
tantas vezes mergulhei
em madrugadas que não tiveram fim
e nunca me levaram a lugar algum
pelas coisas que não compreendo,
o silêncio se fez pedra em teu olhar
esfinge prestes a me devorar
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice” (a sair)
da curiosidade
que sonhos sonhas
nesta noite de chuva
no outro lado da cidade?
que vida passa
pela tua janela
fugindo das águas
que correm para molhar
os sonhos do lado de cá?
que palavras te consolam
nesta noite que te separa
do meu abraço?
será a mesma
a música que me conforta?
águas forçam caminhos,
a paixão tem os pés no chão
o poema, tem asas
que sonhos sonhas
longe do meu travesseiro?
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice” (a sair)
que sonhos sonhas
nesta noite de chuva
no outro lado da cidade?
que vida passa
pela tua janela
fugindo das águas
que correm para molhar
os sonhos do lado de cá?
que palavras te consolam
nesta noite que te separa
do meu abraço?
será a mesma
a música que me conforta?
águas forçam caminhos,
a paixão tem os pés no chão
o poema, tem asas
que sonhos sonhas
longe do meu travesseiro?
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice” (a sair)
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Convalescença de Moacyr Scliar será longaBoletim de saúde liberado pelos médicos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, ontem, dia 8, afirma que o escritor está recebendo o mínimo necessário de sedação e já depende menos da ventilação mecânica (por aparelhos), respirando por conta própria em vários momentos.
Ainda segundo o boletim, não é possível avaliar quais as conseqüências do AVC e como se dará a recuperação do escritor gaúcho, membro da Academia Brasileira de Letras. De acordo com os médicos que o atendem, a previsão é que Scliar terá uma convalescença prolongada.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
da indiferença das cigarras
Cigarras anunciam
um verão que nunca esqueci,
em bosques que já não existem
nunca mais o aroma silvestre
da minha infância
nunca mais o barulho do riacho
e nem noites de vaga-lumes
cigarras cantam indiferentes
às lembranças que o poeta resgata
do seu baú de afetos.
© Ademir Antonio Bacca
do livro “Gritos por dentro das palavras”
Cigarras anunciam
um verão que nunca esqueci,
em bosques que já não existem
nunca mais o aroma silvestre
da minha infância
nunca mais o barulho do riacho
e nem noites de vaga-lumes
cigarras cantam indiferentes
às lembranças que o poeta resgata
do seu baú de afetos.
© Ademir Antonio Bacca
do livro “Gritos por dentro das palavras”

ACASO
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY
1900 – 1944
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso.
sábado, janeiro 29, 2011
terça-feira, janeiro 11, 2011
querer amar (eu e você)
©MARISA LY
eu não sei amar...
se soubesse, estava amando
com unhas e dentes
não sei pensar sobre o amor
porque penso que ele deveria ser
como o ar que respiro
não sei dizer dele senão vida,
existência... não sei dizer dele
além de senti-lo nas veias
das coisas todas que aprendi
entre medos e desordem
entre faltas e ausências
entre silêncios imensos
não aprendi a amar...
porque amar, não sei...
algo me diz que amar não tem que aprender
algo me diz que amar é maior
algo me diz que amar é... ser!
e, no entanto, amar
de repente
pode ser mais simples!
amar pode ser apenas querer!
©MARISA LY
eu não sei amar...
se soubesse, estava amando
com unhas e dentes
não sei pensar sobre o amor
porque penso que ele deveria ser
como o ar que respiro
não sei dizer dele senão vida,
existência... não sei dizer dele
além de senti-lo nas veias
das coisas todas que aprendi
entre medos e desordem
entre faltas e ausências
entre silêncios imensos
não aprendi a amar...
porque amar, não sei...
algo me diz que amar não tem que aprender
algo me diz que amar é maior
algo me diz que amar é... ser!
e, no entanto, amar
de repente
pode ser mais simples!
amar pode ser apenas querer!
antes que cante o galo
antes que toque o sino
antes que feche a porta
antes que a boca cale
antes que o corpo pare
antes que o coro desafine
antes que a paixão naufrague
antes que o tempo acabe
antes que o gatilho dispare
antes que o cálice transborde
antes que a chama da vela apague
antes que o cio acabe
antes que vida falhe
antes que o relógio desperte
antes que a estrada acabe
é bom que um de nós fale
© Ademir Antonio Bacca
de "Poesia do Brasil” – Volume 12
antes que toque o sino
antes que feche a porta
antes que a boca cale
antes que o corpo pare
antes que o coro desafine
antes que a paixão naufrague
antes que o tempo acabe
antes que o gatilho dispare
antes que o cálice transborde
antes que a chama da vela apague
antes que o cio acabe
antes que vida falhe
antes que o relógio desperte
antes que a estrada acabe
é bom que um de nós fale
© Ademir Antonio Bacca
de "Poesia do Brasil” – Volume 12
quarta-feira, dezembro 08, 2010
da preguiça
construo o amanhã
do jeito que dá:
é o sonho que tem pernas
e me leva pro lado de lá
não mexo na pedra
que atrapalha o caminho,
nem troco a palavra
que confunde o poema:
é o ponteiro das horas
quem apressa meu caminhar
construo o dia de amanhã
com o pouco que o hoje me dá:
é o canto atrapalhado do galo
quem diz a hora de acordar
não dou corda
no relógio parado,
nem reclamo se o coração dispara:
há um buraco na parede da memória
e por ele me fugiram algumas lembranças
e também se foi o ponteiro das horas.
© ADEMIR ANTONIO BACCA
da antologia “Poesia do Brasil” – Volume 12
construo o amanhã
do jeito que dá:
é o sonho que tem pernas
e me leva pro lado de lá
não mexo na pedra
que atrapalha o caminho,
nem troco a palavra
que confunde o poema:
é o ponteiro das horas
quem apressa meu caminhar
construo o dia de amanhã
com o pouco que o hoje me dá:
é o canto atrapalhado do galo
quem diz a hora de acordar
não dou corda
no relógio parado,
nem reclamo se o coração dispara:
há um buraco na parede da memória
e por ele me fugiram algumas lembranças
e também se foi o ponteiro das horas.
© ADEMIR ANTONIO BACCA
da antologia “Poesia do Brasil” – Volume 12
RASGO PAPÉIS
© DALMO SARAIVA
Vou comendo trapos e tripas,
Mas por baixo dos panos
Guardo sonhos de vida.
Me presenteio o que posso
E aproveito os laços
Quando desamarro os embrulhos.
Rasgo papéis para não cruzar os braços.
Estico bem os passos
Sem pensar em encurtar o tempo.
Ajunto meus pedaços
Desse quebra cabeças
Sustentado pelo meu pescoço.
© DALMO SARAIVA
Vou comendo trapos e tripas,
Mas por baixo dos panos
Guardo sonhos de vida.
Me presenteio o que posso
E aproveito os laços
Quando desamarro os embrulhos.
Rasgo papéis para não cruzar os braços.
Estico bem os passos
Sem pensar em encurtar o tempo.
Ajunto meus pedaços
Desse quebra cabeças
Sustentado pelo meu pescoço.
o maior amor do mundo
não é aquele que os poetas
tentam descrever em versos perfeitos
nem é aquele que todos nós
sonhamos encontrar um dia
na próxima esquina de um caminho
qualquer
o maior amor do mundo
não é perfeito
e quase sempre não tem pé
nem cabeça,
apenas é.
não tem curvas,
meias palavras
e sequer explicação.
o maior amor do mundo
é aquele que cabe
na palma da mão.
© Ademir Antonio Bacca
não é aquele que os poetas
tentam descrever em versos perfeitos
nem é aquele que todos nós
sonhamos encontrar um dia
na próxima esquina de um caminho
qualquer
o maior amor do mundo
não é perfeito
e quase sempre não tem pé
nem cabeça,
apenas é.
não tem curvas,
meias palavras
e sequer explicação.
o maior amor do mundo
é aquele que cabe
na palma da mão.
© Ademir Antonio Bacca
segunda-feira, novembro 22, 2010
MÉRITO TALIAN 2010
Durante a realização do III FÓRUM NACIONAL DA LÍNGUA TALIAN e do XIV ENCONTRO NACIONAL DOS DIFUSORES DO TALIAN, eventos integrantes do calendário de festejos dos 135 anos da Imigração Italiana no Brasil, tive a honra de ser agraciado com o MÉRITO TALIAN 2010, por serviços prestados em favor da preservação do folclore e da língua dos primeiros imigrantes italianos vindos ao país.
A solenidade de entrega de diploma e troféu aconteceu na noite do dia 13 de novembro, no Salão de Festas do Clube Gaúcho, na cidade de Serafina Corrêa.
A promoção dos eventos foi da Prefeitura local, Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul, Federação dos Vênetos do Rio Grande do Sul e Associação dos Difusores do Talian no Brasil.
A moça bonita que me entregou a distinção é Débora Ziliotto, Princesa do Cinquentenário de Serafina Corrêa, cidade onde nasci.
O chá de Churchill
Aconteceu num dos discursos de Churchill em que uma deputada oposicionista, Nancy Astor, conhecida por sua impertinência, pediu um aparte. Todos sabiam que Churchill não gostava que interrompessem os seus discursos. Mas concedeu a palavra à deputada. E ela, com raiva reprimida, declarou:
— Senhor Ministro, se Vossa Excelência fosse o meu marido, eu colocava veneno em seu chá!
Churchill, lentamente, tirou os óculos, seu olhar astuto percorreu a platéia e, naquele silêncio em que todos aguardavam, lascou:
— Nancy, se eu fosse o teu marido, eu tomaria esse chá com prazer!
quarta-feira, novembro 03, 2010
AS PALAVRAS E AS COISAS
© JOAQUIM BRANCO
A poesia vem das coisas
que se fazem dia-a-dia.
Desde o outono que começa
nessas folhas caídas pela chuva
a uma nova aragem que separa
as temperaturas da terra.
Aqui não chegam ventos alísios
ou polares frios contra o verão,
mas uma breve brisa alerta
para as amenidades do corpo.
A poesia traz as coisas para si
e de si as reinventa para a vida.
Ela alimenta o poema que volta
de novo às coisas para habitar o mundo.
do livro “Jogo de Palavras”
© JOAQUIM BRANCO
A poesia vem das coisas
que se fazem dia-a-dia.
Desde o outono que começa
nessas folhas caídas pela chuva
a uma nova aragem que separa
as temperaturas da terra.
Aqui não chegam ventos alísios
ou polares frios contra o verão,
mas uma breve brisa alerta
para as amenidades do corpo.
A poesia traz as coisas para si
e de si as reinventa para a vida.
Ela alimenta o poema que volta
de novo às coisas para habitar o mundo.
do livro “Jogo de Palavras”
o rio dos meus olhos
o rio
que agora banha
meus dias,
tem o sal
de muitas lágrimas
misturado a suas águas
tanta vida que se foi,
acordes dispersos no ar
sonhos que o vento levou
em madrugadas profanas
a água
que alimenta
o rio dos meus olhos
move o moinho da saudade
na noite que não acaba
toda paixão
que não tem
porto seguro
naufraga
na entrada do cais
© Ademir Antonio Bacca
da antologia “Poesia do Brasil” – Volume 11
o rio
que agora banha
meus dias,
tem o sal
de muitas lágrimas
misturado a suas águas
tanta vida que se foi,
acordes dispersos no ar
sonhos que o vento levou
em madrugadas profanas
a água
que alimenta
o rio dos meus olhos
move o moinho da saudade
na noite que não acaba
toda paixão
que não tem
porto seguro
naufraga
na entrada do cais
© Ademir Antonio Bacca
da antologia “Poesia do Brasil” – Volume 11
A pequena morte
© EDUARDO GALEANO
© EDUARDO GALEANO
Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França, a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.
Assinar:
Postagens (Atom)




























