poeta, escritor, contista, jornalista, radialista, pesquisador e produtor cultural
segunda-feira, março 26, 2007
Morre no dia 20 de março de 1953. Postumamente foram publicados “Viagem” e aquele que seria, ao lado de “Vidas Secas”, o seu livro mais famoso, “Memórias do Cárcere”. Nos anos 60, outros dois livros de Graciliano chegavam às livrarias: “Viventes das Alagoas” e “Linhas Tortas”.
Pelas coincidências desta vida, no dia 20 de março de 1992 – mesmo dia do mês e da semana – quase com a mesma idade do pai, morria o escritor Ricardo Ramos.
tem dias que calo
não pelas palavras
que me tiraram
e sim
pela saudade dos amigos
que me faltam
calado,
me entrego à lembranças
que dispensam palavras
e giram o moinho de água
dos meus olhos
tem dias que calo
e me digo mais palavras
do que quando falo
calado
reinvento alegrias,
recupero vozes
e dou movimento a imagens
que se perderam no outro lado
das pontes caídas
tem dias que calo
e mesmo assim,
falo
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Pai da soul music brasileira, TIM MAIA nasceu no dia 28 de setembro de 1942. Em 1957, fundou no o grupo de rock Os Sputniks, do qual participaram Roberto e Erasmo Carlos. Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde entrou em contato com a soul music, chegando a participar de um grupo vocal, o The Ideals. Em 1969, gravou em dueto com Elis Regina a sua composição “These Are The Songs”. A projeção rendeu um convite para gravar seu primeiro LP, que obteve grande sucesso graças às músicas “Primavera” e “Azul da Cor do Mar”, até hoje tocadas nas rádios. Depois intercalou fases de altos e baixos em sua carreira, voltando a emplacar músicas nas paradas de sucesso nos anos 80 e 90.
Em 1998, no show no Teatro Municipal de Niterói, que seria gravado para um especial de TV, sentiu-se mal, vindo a falecer uma semana depois, no dia 15 de março.
sábado, março 17, 2007

PAULO BRASIL GOMES DE SAMPAIO, o SAMPAULO, foi um dos maiores chargistas brasileiros de todos os tempos. Gaúcho de Uruguaiana, colaborou com os principais jornais do Rio Grande do Sul e com alguns alternativos do Brasil, como o Pasquim. Morreu alguns anos atrás, mas toda vez que vejo um trabalho seu me bate uma saudade daquela tarde de outubro de 1980, regada a todos os vinhos possíveis, quando aqui em Bento Gonçalves fizemos a primeira Mostra de Cartuns. Considero essa charge aí de cima uma das mais engraçadas que já se fez no Brasil e há muito que eu queria dividi-la com vocês.

Poeta francês que figura entre os iniciadores do simbolismo, STÉPHANE MALLARMÉ, Nasceu em Paris no dia 18 de março de 1842. Mallarmé se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pude resultar em um texto às vezes obscuro. Seus poemas mais conhecidos são L'APRÉS-MIDI D'UN FAUNE (1876), que inspirou o prelúdio homônimo do compositor francês Claude Debussy, e Herodias (1869). Outras obras importantes de Mallarmé são a antología Verso e prosa (1893) e o volume de ensaios em prosa Divagações (1897).
morreu em 1898, em Paris, sem ter chegado a concluir a grande obra de sua vida. A Grande Obra, com letra maiúscula, é um projeto que ele revela em cartas, em correspondências a amigos.
BRINDE
STÉPHANE MALLARMÉ
1842 – 1898
Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.
Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;
Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde
Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.
da infância
trouxe bem fechadas
uma caixa de medos
e outra de coisas proibidas
a dos medos
continua dentro de mim
ainda fechada,
embora de vez em quando
escape um
a das coisas proibidas
abri num descuido
num tempo qualquer
e desde então
nunca mais as minhas noites
foram iguais.
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Antônio Frederico de CASTRO ALVES, poeta, nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847. É o patrono da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Valentim Magalhães.
Morreu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871, aos 24 anos, sem ter podido acabar a maior empresa que se propusera, o poema “Os escravos”, uma série de poesias em torno do tema da escravidão.
duas palavras pra lá,
duas pra cá,
fácil de dançar
no poema,
a boa palavra desliza
com desenvoltura
pelo retângulo de papel
que a noite estende
diante do poeta.
o poema não é bolero
duas palavras pra lá,
duas pra cá
nem que tem que ser
obrigatoriamente triste
todo poema
é teia de emoções
difícil de se safar.
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
quinta-feira, março 08, 2007
quarta-feira, março 07, 2007
terça-feira, março 06, 2007
sexta-feira, março 02, 2007
enquanto a noite for assim
(mistério)
por certo me encontrarás
brigando com meus fantasmas
ou a perambular minhas indecisões
pelas mesas dos seus bares
enquanto a noite for assim
(armadilha)
por certo estarei driblando o fio da teia
que ela tece com a pressa das horas
para surpreender os incautos
enquanto a noite for assim
(luz e música)
por certo me encontrarás
correndo todos os riscos,
seduzido pelo seu canto irresistível
© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”

O GRANDE GÊNIO RENASCENTISTA
No dia 6 de março de 1475, nascia em Caprese, província florentina, na Itália, o mestre do Renascimento Michelangelo Buonarotti. Entre as obras do arquiteto, escultor e pintor estão a Pietá, o Davi e, com certeza a mais conhecida de todos, a abóbada da Capela Sistina. Em 18 de Fevereiro de 1564, Michelangelo morre em sua cama. Como testamento, o artista pediu que seu corpo regressasse a Florença, pois estava doando sua alma a Deus e seu corpo à terra.
CECILIA MEIRELES
1901 – 1964
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
— vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
— vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
— Vê que nem te digo — esperança!
— Vê que nem sequer sonho — amor!
(colaboração: Ângela Weingartner Becker)

NOSTRADAMUS: 452 ANOS DE “OS SÉCULOS”
Michel de Notredame, mais conhecido como Nostradamus, publicou no dia 1º de março de 1555 o livro “Os Séculos”, contendo profecias sobre o futuro da humanidade. Médico, astrólogo, teólogo e alquimista ele ganhou fama mundial com suas "centúrias" de linguagem hermética e aparentemente indecifráveis. Nasceu no dia 14/12/1503, na cidade de Saint Rémy de Provence, no sul da França, e morreu no dia 02/07/1566, na cidade de Salon. Foi sepultado na igreja do Convento de Cordeliers e seu túmulo ainda está lá, acompanhado de um retrato, e pode ser visto ainda hoje.