
Fonógrafo
No dia 19 de fevereiro de 1878, o inventor norte-americano Thomas Edison patenteia o fonógrafo. Edison é até hoje o maior inventor de todos os tempos, tendo sido autor de 1093 inovações, entre elas a lâmpada elétrica.
poeta, escritor, contista, jornalista, radialista, pesquisador e produtor cultural

CARTA DE EDUARDO GALEANO ENDEREÇADA AO FUTURO
Prezado Senhor Futuro,
Com a minha maior consideração:
Estou lhe escrevendo esta carta para pedir-lhe um favor. O senhor saberá desculpar-me o incômodo.
Não, não tema, não é que queira conhecê-lo. O senhor há de ser muito solicitado, haverá tanta gente que quererá ter o prazer; mas eu não. Quando alguma cigana me toma a mão para ler-me o porvir, saio correndo em disparada antes que ela possa cometer tal crueldade.
E, no entanto, você, misterioso senhor, é a promessa que nossos passos perseguem querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde o senhor nos espera. A mim e aos muitos que não acreditamos nos deuses que nos prometem outras vidas nos mais longínquos hotéis de Mais Além.
E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma.
Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estar, para ser, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo.
Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois.
Saúda-te atentamente,
Um Terrestre
© EDUARDO GALEANO — Tradução: Verena Glass

Em fevereiro de 1922, jovens poetas, escritores e artistas liderados por Mario e Oswald de Andrade reuniram-se para organizar três festivais, que seriam apresentados no Teatro Municipal de São Paulo. O objetivo era revolucionar a arte brasileira e romper de vez com o academicismo presente nas artes plásticas, na literatura e na música. Influenciados pela vanguarda artística européia, formada por surrealistas, futuristas e dadaístas, os modernistas paulistas desejavam expor o que acreditavam ser uma " nova arte nacional", criada a partir da "antropofagia cultural", que, segundo eles, seria a característica básica da sociedade brasileira. Isto tudo aconteceu nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro e o evento acabou entrando para a história como “Semana de Arte Moderna” e acabou sendo o divisor das águas no cenário cultural brasileiro do século passado.

cais
em ti
aporto versos
mal feitos
e medos
acumulados
em temporais
que, por pouco,
não me levaram
a pique
em teus braços
ancoro palavras
e sonhos cansados
de tudo que vem do mar
feito onda que não cansa
de dar na praia
em ti
aporto sonhos
de palavras
que rasgam as trevas
e anunciam novas manhãs.
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Amor é fogo que arde sem se ver
© Luis Vaz de Camões
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
