terça-feira, fevereiro 22, 2011

Vinte anos sem Oscar Bertholdo

No final da tarde do dia 22 de fevereiro de 1991, dei uma ajeitada na bagunça da minha mesa na redação do Jornal Laconicus e fui para casa tomar um banho. À noite faríamos um sarau no bar Vôo Livre, em Caxias do Sul, para divulgar o II Congresso Brasileiro de Poesia, que seria realizado em maio daquele ano, na cidade de Nova Prata.

Conforme o combinado no dia anterior, na passagem por Farroupilha, entraria para pegar o poeta Oscar Bertholdo e iríamos juntos. Bertholdo teria a sua obra trabalhada junto às escolas durante o congresso, num projeto que tínhamos para tornar a sua poesia conhecida entre os estudantes de Nova Prata e região.

O toque insistente do telefone me tirou do chuveiro e a notícia veio com a força de uma bomba: Oscar havia sido assassinado durante um assalto.

Vinte anos hoje que quatro marginais invadiram sua casa em busca de dólares sem saber que naquela casa existiam apenas palavras que compunham poemas da mais alta qualidade. Três foram presos, o mentor não.

Logo mais, à meia-noite de hoje, prescreve o crime do poeta e seu mentor poderá circular livremente, graças aos benefícios da lei.

Vinte anos sem a presença cativante do poeta, suavizando a saudade lendo seus belíssimos poemas e lembrando de tudo aquilo que ele fez em favor do desenvolvimento cultural da nossa região.

As vinte e uma facadas que mataram o poeta não foram suficientes, porém, para calar a voz forte da poesia que canta o vale, a vindima, os braços fortes e a força dos imigrantes italianos.

7 comentários:

Paulo disse...

Pois é Bacca... Vai-se o poeta fica a obra! Bela lembrança!

Abração

Paulo Ednilson

Simultaneidades disse...

Bom dia!
Bela homenagem!!
bjs.
Andréa Motta

Ricardo Alfaya disse...

Oi,

Acho sempre muito importante lembrar os bons poetas que já se foram. Valeu a homenagem. Abcs, Ricardo Alfaya.

Guilherme Mossini Mendel disse...

A justiça brasileira é uma piada indigna de ser escrita em letras grandes, em negrito e em maíusculo. É uma das maiores vergonhas desse país.

Mardilê Friedrich Fabre disse...

Que história triste! Um poeta, amante do belo, morrer desse jeito. Alguém disse que, enquanto uma pessoa se lembrasse de alguém, ele não havia morrido. Sim, ele vive. Abrs. Mardilê

Adão Wons disse...

Caro Ademir

É sem duvida alguma um poeta que o tempo não apaga e a lembrança sempre esta presente em todos nós.

Luiz de Aquino disse...

Bacca,
É doloroso pensar na brusca interrupção de um poema a meio do verso e da vida! A Justiça, se feita, ao menos nos daria algum conforto; mas o que faz uma polícia que tem vinte anos para resolver algo e nada acontece?
Lembro-me bem do segundo Congresso, o de 1991, quando nos conhecemos. A presença de Oscar Bertholdo pairava sobre Nova Prata...