sábado, outubro 25, 2008

se eu pudesse moldar as manhãs
com minhas mãos de poeta
talvez elas tivessem as mesmas cores
mas certamente seriam diferentes

tiraria delas a pressa do ponteiro das horas
e também o cinza dos olhos
daqueles que enfrentam as ruas

se eu pudesse amassar com minhas mãos
o barro das manhãs
eu o moldaria ao meu jeito

certamente elas teriam os mesmos rostos,]
seríamos os mesmos a dividir o mesmo espaço
mas elas seriam diferentes

desarmaria espíritos
eliminaria labirintos
substituiria muros por pontes
e ensinaria a celebrar a vida
mesmo que ela amanheça todos os dias
pendurada por um mísero fio

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O grito por dentro das palavras”

11 comentários:

Anônimo disse...

Belíssimo poema, Bacca!
Beijossssss!

Ge fazio disse...

Linda... linda poesia Bacca!
Luz para vc!

Córdova disse...

Admiro-te! E as suas poesias!

Não sei se se lembra de mim.. faz tempo viu algumas minhas.

Abraços!

Anônimo disse...

Amei o poema espólio... e suas habilidosas mãos. Bj da Rosane Martins

Guilherme Mossini Mendel disse...

Oi, Ademir!
Tudo bem?

Muito interessante esse poema, além de muito bem construído.

Parabéns!

Abraço!
Até!

Fátima Venutti disse...

Depois de longa ausência (mútua, diga-se de passagem...) cá estamos nós a "amassar o barro das manhãs"...
Lindo, lindo...
Ah se eu pudesse também "moldar ao meu jeito..."

Beijos de saudades

Ricardo Mainieri disse...

Um poema que carrega muito do sentimento do poeta, seus projetos libertários, suas convicções..
Por que não, como disse Thiago de Mello, não podem "todos os dias de semana/inclusive as terças-feiras mais cinzentas/tem o direito em converter-se em manhãs de domingo".
Paralelo ao poeta amazonense, sinto assim este teu poema.

Abraço.

Ricardo Mainieri

SIMONE GOIS disse...

Passo para conhecer um pouco do seu trabalho, belissímo!
Vou te linkar pra acompanhar de mais pertinho.
Abraço
simone

SAM disse...

Linda mensagem poética, Ademir. Grande sensibilidade.

Froilam de Oliveira disse...

ADEMIR
gosto de teus poemas, desde aquele "emigram os pássaros / emigram os sonhos / emigram os amores / no terceiro mundo / sõ não emigram os generais"
Abç

Diana Pilatti disse...

Lindo! As manhãs também me encantam... Como as moldaria? Ah, meu amigo poeta, isso eu não sei, mas fico aqui sorvendo seus perfumes, ouvindo as conversas passarinhais, me banhando de toda essa cor que logo se esvai... Também me encantam o pores-do sol (por que nos admira o início e o fim das coisas, por que não os meios? bom... esse seria outro poema, não é mesmo?) Beijos daqui do MS. Diana Pilatti