quinta-feira, dezembro 28, 2006



Arte: "La gare de Riaz" © Juan Alberto

decisão de campeonato

o tempo
tem nos driblado
em silêncio,
com ponteiros
cada vez
mais rápidos

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
das mortes

ultimamente
a vida
tem me parecido
um porto

só
de partida

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
Arte: "Breakin free" © Guy David
a noite
tem essa de ser
mais armadilha
que mistério

mais porto de partida
que abraço de chegada

a noite sempre é
um anzol jogado ao acaso
num rio de emoções

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
a nossa
é paixão
mal resolvida

olhos
que se estudam
mãos
que se encontram
e lábios
que dizem não

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
Arte: "Planeta Terra" © Turcios
não
pense
que
a
vida
é
eterna

é
terna
e
só

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
CANÇÃO PARA DESPERTAR

© LIVIA TUCCI
in “O Avesso do Cristal”

Quando a aurora
é uma promessa silenciosa,
em nossos olhos
intumescidos de noite,

quando as horas são mudas e indolentes
e se arrastam pelos ciclos,
morrendo no levitar dos ritos,

quando um corpo encontra o outro,
efervescido, pouco a pouco,
na transfusão das águas,

é chegado o tempo
de embalar nos braços
o navegar dos barcos
no (pre)amar dos cios.

sábado, dezembro 23, 2006



POEMA DE NATAL

© JULIANA STEFANI

Dorme,
que a fome passa
e se não passa
Grita
que a palavra mata
na dúvida
de quem cala
Dorme.
que a ceia que provas
é a fome da espera
Dorme.
que não és tato.
Não és faro.
És o olhar do menino
na poça d'água
... Um reflexo de Natal
Pode estar também na vidraça
onde arqueias com o dedo: "Felicidade".
Dorme,
que do outro lado, na rua
quem lê
lê ao avesso
e se vai.
Arte:"When the music is over" © David Maverick
o tempo
que passa
é uma velha chave
que a gente perde
num dia qualquer,

busca
e rebusca
dentro da bolsa

e não encontra
nunca mais


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
plano de vôo

do ninho do sonho
ao olho do furacão:
tudo planejado
nos mínimos detalhes

nenhuma palavra que se cale
nenhum gesto que me pare

da linha de partida
até o ponto de chegada:
tudo ousado
feito sonho não sonhado

que a imaginação sustente as asas
que a sensatez não desvie o rumo

nem do ninho da paixão
nem do olho do furacão


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
Arte: "La Abuela" © Angel Boligán
dos sonhos

I

dos sonhos
coloridos
que sonhei,
restou
o amarelo
da tua
lembrança

II

dos sonhos
preto&branco
que me tiraram
o sono,
restou o vazio
da tua
ausência

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
mea culpa

eu me perdôo
os males todos
que me fiz

os sonhos que sufoquei
os beijos que evitei

eu me perdôo
os pecados todos
que não cometi

as mulheres que não cobicei
os beijos que não ousei

eu me perdôo
as dores todas
que me causei

as loucuras que não cometi

só não me perdôo
as pontes que não atravessei


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Arte: Craig Blair - "The cat that fell in love"
antes
de aprender
o caminho
das estrelas
é preciso
aprender
passo a
passo
o caminho
da emoção

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
Arte: Carlos
“Dever do poeta é cantar com seu povo
e dar ao homem o que é do homem:
sonho e amor,
luz e noite,
razão e desvario.”

PABLO NERUDA
(1904-1973)