terça-feira, abril 05, 2011

interrogações dentro da noite que não acaba

quem será o meu ventríloquo
quando falo coisas que não quero?

quem mexe com os meus cordéis
quando minha vontade era ficar quieto
no meu canto?

quem é este outro poeta
que vaga por caminhos que não escolhi
como se fosse eu?

de quem estas palavras
que não dizem da missa a metade
daquilo que trago dentro de mim?

quem foi que me deixou
ancorado em terra firme,
olhos buscando velas no mar?

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”

2 comentários:

MARILENE disse...

Gosto de visitar este seu blog, pois está sempre a nos brindar com
lindos poemas. A frase é antiga, mas verdadeira: quem sabe, sabe!
E você conhece bem a dança das
palavras.

Maria Aparecida disse...

Olá, Ademir! Faz uns dias, andei pensando uma poesia que tem algo em comum com esta sua. Ainda não a escrevi, pois como muitas mulheres me divido entre afazeres domésticos, uma turminha de 28 maravilhosos aluninhos de 1ºano e a paixão pela poesia. Mas um trecho dela seria mais ou menos assim: ...há quem despreze os dedos e só repare nos anéis...na verdade às vezes é difícil não confundir os papéis...o angustiado manipulador, para aplacar a sua dor, acaba culpando as marionetes pelos nós nos carretéis!
Abraços!
Ah! Visite meu Blog também! Não é assim tão elaborado quanto o seu... mas serve para extravasar minha necessidade de escrever.
(mariamogorim@blogspot.com)