segunda-feira, novembro 06, 2006

das travessias

algumas pontes
levam minhas fantasias
ao outro lado do prazer.

outras,
só atravessam rios.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”
Arte: Henrique Rodrigues Pinto
“O poema é uma bola de cristal.
Se apenas enxergares nele o seu nariz,
não culpes o mágico.”

MARIO QUINTANA
1906 - 1994

fonte de luz

a minha loucura
vem da nascente
dos teus olhos


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”


Concurso Nacional de Poesia

Tema: a cultura do vinho no cenário das civilizações
Regulamento no blog

http://arturgomes.zip.net

e na página:

http://www.almadepoeta.com/fulinaima.htm

invento a paixão
do meu jeito

irresponsável
e insensata
com todos os riscos

invento a minha paixão
com todas as loucuras
que passam pela cabeça
do mais tolo dos apaixonados
e me entrego a ela
de corpo e alma

só assim vale a pena
te amar


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”


As pitangueiras em frente ao SESC

Em frente à unidade do SESC, em homenagem ao Congresso Brasileiro de Poesia, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente plantou, em anos alternados, duas pitangueiras. Para nossa alegria, tanto a maior quanto a menor delas, certamente em homenagem ao maior de todos os congressos já realizados, estão neste novembro que mal iniciou, carregadas de frutos. Peguei minha câmera e fiz um registro para dividir com todos os poetas que já participaram de plantios de pitangueiras em Bento Gonçalves, para que mesmo virtualmente, sintam o sabor das pitangas que embelezam nossos olhos.

das águas

no cristalino
das águas que descem
os morros
eu faço sumir os vestígios
do teu corpo

tempo que se vai
na pressa do rio

lembrança que não dói mais


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”
do aconchego

descanso
a insensatez
dos meus passos
na calma doçura
dos teus braços

sossego
a loucura
dos meus atos
na doce preguiça
dos teus gestos.


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”

sexta-feira, novembro 03, 2006

Arte: Tristan Schane
tempo de solidão

tempo
que não passa
novelo
que não se desembaraça
vela
que queima devagar
nó
que não desata
lembrança
que não se perde na fumaça.

noite
que se arrasta.


© Ademir Antonio Bacca
do ponto final

eu
e tu
diga lá
o que fazer
de nós dois?

onde
o porto
para ancorar
estes corpos
cansados
de se navegarem?

eu
e tu
onde foi que perdemos
o mapa do sonho
que trazíamos
no coração?


© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

Arte: "Close this window" © Olbinski
na corda bamba

no tênue fio
que me prende
a ti,
faço malabarismos mil
para não te perder
de vista


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”
da paixão

materializo
todas as minhas
fantasias
na ternura
indisfarçada
do teu olhar


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”
sina

eu tenho
um verso
atravessado
na garganta
que me rasga
o peito
toda vez
que me ponho
a sonhar.


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Pandorgas ao Vento”

terça-feira, outubro 31, 2006

Ultimate trap lodge © George Grie
altos e baixos

ao inferno
desci tantas vezes,
caminhos a que me leva
a indiferença do teu andar

ao paraíso
poucas vezes me aventurei

a última,
quando me deixei levar
pelo brilho do teu olhar.

© Ademir AntonioBacca
do livro “Plano de Vôo”
teus olhos nos meus

cursos de rios
que se encontram
caudalosos

paixão que arrasta
tudo o que encontra
pela frente.

© Ademir AntonioBacca
do livro “Plano de Vôo”
Take me to the city © Fátima Azinova
de estradas & estradas

As estradas que não percorri,
hoje não me cansam mais.

O arrependimento
de não ter seguido por elas
cansou-me ao longo de intermináveis
noites de insônia.

O que deixei de fazer,
o que não fui,
tudo o que não amei
e o que me fugiu por entre os medos,
foram fardos de frustrações
que carreguei em ombros calejados
pelas estradas que escolhi.

Agora,
na encruzilhada do que sou
com aquilo que queria ser
e com o que eu poderia ter sido,
chamo o garçom e peço mais uma dose.

A vida é assim mesmo,
está escrito em algum lugar
nós nunca vamos,
é ela que nos leva ao seu bel prazer.

As estradas que não percorri
foram aquelas que me cansaram mais.

© Ademir AntonioBacca
do livro “Plano de Vôo”

quinta-feira, outubro 26, 2006

Arte: Paulo Rocha

Bento Gonçalves perde sua figura mais folclórica

De todos os personagens folclóricos da história de Bento Gonçalves, nenhum se igualou em fama a Reno Thales de Rodrigues Vinhas, o “Gualicho”. Sua fama de golpista ultrapassou as fronteiras da Capital Brasileira do Vinho e tornou-se lenda. Vender tinta colorida para pintar as antenas quando foi introduzida a televisão colorida no Brasil; vender o direito a uma dupla de argentinos de cobrar pedágio sobre a ponte do Rio das Antas; um loteamento com terrenos de frente pra praia, ou seja, com os terrenos todos dentro d’água e por aí vai compõem a galeria de golpes a ele atribuídos. Quando estava sem dinheiro visitava empresários e sempre conseguia algum. Mas era um romântico, depois a primeira coisa que fazia era enviar bombons e flores para a esposa do empresário que ele acabara de ‘morder’. Personagem dos meus livros de folclore, sempre que vinha a Bento me procurava e conversávamos algumas cervejas. Gostava de tangos e grande parte dos seus 73 anos passou-os em cabarés. Seus preferidos eram “Uno” e “Caminito”. Eu que não gostava de tango, me rendi à beleza de “Caminito”, que divido com vocês:

Caminito

Letra: Gabino Coria Peñolaza
Música: Juan de Dios Filiberto

Caminito que el tiempo ha borrado,
que juntos un día nos viste pasar,
he venido por última vez,
he venido a contarte mi mal.
Caminito que entonces estabas
bordado de trébol y juncos en flor,
una sombra ya pronto serás,
una sombra lo mismo que yo.

Desde que se fue
triste vivo yo,
caminito amigo,
yo también me voy.
Desde que se fue
nunca mas volvió,
seguiré sus pasos,caminito, adiós.

Caminito que todas las tardes
feliz recorrías cantando mi amor,
no le digas si vuelve a pasar
que mi llanto tu suelo regó.
Caminito cubierto de cardos,
la mano del tiempo tu huella borró;
yo a tu lado quisiera caer
y que el tiempo nos mate a los dos.