quinta-feira, outubro 26, 2006

coisas do mar

o ir e vir fascinante das águas,
eterna magia do mar bravio
em teus olhos

paixões perdidas na arrebentação.

essa coisa intrigante
do mar estar longe e tão perto
dos meus olhos,
me levando em suas ondas
e nunca te trazendo para mim...

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”


30 anos sem Di Cavalcanti

No dia 26 de outubro de1976, morria no Rio de Janeiro, aos 79 anos, Emiliano Di Cavalcanti, um dos maiores pintores brasileiros de todos os tempos. Acima, “Samba”, óleo sobre tela, um dos seus quadros mais famosos, pintado no ano de 1925.

em silêncio
contemplo teu corpo inerte
ao alcance das minhas mãos

nenhum som perdido
na madrugada

intrusa,
a lua espreita pelo vão da janela
o movimento dos meus dedos.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”

Gato Félix faz 89 anos

No dia 26 de outubro de 1917, nascia o Gato Félix, personagem ilustre da história do quadrinho mundial, criado pelo desenhista australiano Pat Sullivan, radicado nos Estados Unidos.
Na minha infância fui um leitor voraz de gibis, que ao longo dos tempos acabei substituindo pelos livros. Não tenho dúvidas nenhuma de que o meu gosto pela leitura vem daquelas tardes inesquecíveis de domingos em que trocávamos gibis na entrada do Cinema Popular, na Praça da Matriz de Santo Antônio, aqui em Bento Gonçalves.
poeminha da certeza maior

toda
bala
perdida
encontra
fácil
uma
cabeça
para
estourar

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”

Vlado Herzog: o estopim para o fim da ditadura

Foi no dia 25 de outubro de 1975, que a ditadura militar começou a cair no Brasil. Naquele dia foi assassinado nos porões do DOI-CODI do II Exército de São Paulo, o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, que também era teatrólogo e professor da USP. Sua morte – que os militares tentaram vender a versão de suicídio – acabou acendendo o estopim da revolta popular que alguns anos depois devolveria os militares de volta aos quartéis.
No meu livro “Página de Jornal”, editado 1988, publiquei este poema em sua homenagem:

POEMA PARA VLADO HERZOG

No dia 25 de outubro de 1975
a vida te chegou ao fim.
“Suicídio”
disseram os que te mataram
numa sala de tortura do DOI-CODI.

A vida te chegou ao fim
companheiro
e eles pensaram que haviam conseguido
sufocar a tua revolta
com o cinto que prenderam
em teu pescoço
para te enforcar.

Calaram a tua voz
mas despertaram de vez a tua gente.

Ao te matarem, Vlado,
eles não sabiam o estopim
que estavam acendendo.
do homem

Ser forte
como o velho carro de bois
que geme suas dores
mas não se rende
ao caminho,

esta a obrigação do homem

ser frágil
como a folha de papel
entregue ao vento

esta a condição do homem.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

terça-feira, outubro 24, 2006



O pai do menino maluquinho

Ziraldo Alves Pinto nasceu em 24 de outubro de 1932 em Caratinga, Minas Gerais. É o mais velho de uma família de sete irmãos. Seu nome vem da combinação do nomes de sua mãe, Zizinha com o de seu pai Geraldo: assim surgiu o Zi-raldo, um nome único.
Desenhista, cartunista, jornalista e o mais badalado autor de livros infantis do país, Ziraldo foi um dos fundadores do jornal “Pasquim”, de grande circulação durante a ditadura militar. E foi graças ao “Pasquim” que tive oportunidade de conhecê-lo e de desfrutar momentos
especiais em sua companhia.
“O Menino Maluquinho”, um dos seus tantos livros infantis, é o mais vendido em todos os tempos na história da literatura infantil no Brasil, tendo sido, inclusive, levado às telas.

desencanto

há muito
que não vejo a vida
com olhos de menino

não foi a vida
que passou com certa urgência
quem me deixou assim
tão amargo.

talvez os sonhos que sonhei,
talvez as palavras que não ousei.

sei lá...

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
de frutos & suor

desta terra
colhi poucos frutos

apesar do suor
de tantas palavras.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”

segunda-feira, outubro 23, 2006



ALFONSINA STORNI
(1880/1938)

Alfonsina é muito mais que a belíssima canção de Felix Luna e Ariel Ramirez, interpretada magistralmente por Mercedes Sosa. É uma das vozes mais forte da poesia feminina das Américas.
Alfonsina nasceu na Suíça Italiana em 29 de maio de 1892, imigrando com os seus pais para a província de San Juan na Argentina em 1896. Seus poemas são incisivos e eficazes, podendo ser considerada para a época em que viveu, uma feminista.
Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia de um hotel de Mar del Plata para um jornal, o soneto “Voy a Dormir”.
Seu corpo foi resgatado do mar no dia 25 de outubro de 1938.


A Carícia perdida

© ALFONSINA STORNI

Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

(Tradução de Carlos Seabra)

ALFONSINA Y EL MAR
Ariel Ramirez - Felix Luna
1968

Por la blanda arena que lame el mar
su pequeña huella no vuelve más
y un sendero solo de pena y silencio llegó
hasta el agua profunda
y un sendero solo de penas puras llegó
hasta la espuma

Sabe Dios que angustia te acompañó
qué dolores viejos calló tu voz
para recostarte arrullada en el canto
de las caracolas marinas
la canción que canta en el fondo oscuro del mar
la caracola

Te vas Alfonsina con tu soledad
¿qué poemas nuevos fuiste a buscar?
Y una voz antigua de viento y de mar
te requiebra el alma
y la está llamando
y te vas, hacia allá como en sueños,
dormida Alfonsina, vestida de mar.

Cinco sirenitas te llevarán
por caminos de algas y de coral
y fosforescentes caballos marinos harán
una ronda a tu lado.
Y los habitantes del agua van a nadar
pronto a tu lado.

Bájame la lámpara un poco más
déjame que duerma, nodriza en paz
y si llama él no le digas que estoy,
dile que Alfonsina no vuelve.
y si llama él no le digas nunca que estoy,
di que me he ido.
Arte: Fernandes

O Rei do Futebol chega aos 66 anos

Nascido em 23 de outubro de 1940, Edson Arantes do Nascimento, imortalizado como “Pelé”, chega hoje aos 66 anos de idade. Maior jogador de todos os tempos, mesmo afastado dos estádios Pelé é considerado uma das maiores personalidades esportivas da atualidade. Das frustrações esportivas que carrego na minha mala de garupa, sem dúvidas nunca tê-lo visto jogar ao vivo é uma das maiores. Mas foi graças ao seu talento que até hoje, deixando o Internacional de lado, sou torcedor do Santos de carteirinha. Mesmo quando ele não jogue contra o Grêmio.



O dia em que o homem voou

Num 23 de outubro, exatos cem anos atrás, o homem voou pela primeira vez. Foi no Campo de Bagatelle, em Paris, que Santos Dumont realizou a proeza com o seu 14 Bis. Após uma corrida de 200 metros, a aeroplano ergueu-se de dois a três metros acima do solo e percorreu 60 metros em sete segundos. Era a primeira vez que um aparelho mais pesado do que o ar levantava-se do solo por seus próprios meios. Mas como não houve medições oficiais, o vôo acabou não sendo homologado pela Federação Aeronáutica Internacional, o que levou o brasileiro a repetir a façanha em 12 de novembro do mesmo ano. Na quarta tentativa daquele dia, Santos Dumont estabeleceu o primeiro recorde de velocidade aérea: 41,292km/h. Na quinta e última tentativa, o 14 Bis percorreu 220 metros.

domingo, outubro 22, 2006

Poesia viva

Com
(partilhar)
alma
Com
(viver)
magia

Congresso de Poesia:

En (CON) tro,
Expressão,
Sintonia.

Na primavera de Bento
Deus sorria!


© Paola Caumo
20/10/2006

sábado, outubro 21, 2006

NO FIM DA LINHA - © adebach/2005
Técnica: Fractal - Programa utilizado: Apophysis
bombas
atentados
assassinatos

sei lá

essas cicatrizes
que o noticiário do cotidiano
vai deixando
em cada um de nós

medos que levamos
da cama,
pra todo lugar.

a vida tinha mais graça
antes da tevê.


® Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
a madrugada
muitas vezes
me surpreende
ferido de morte.

nenhuma palavra
que me console.

nenhuma paixão.
que me salve


® Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
partilha

nem pão,
nem peixes
nem água,
nem vinho

o que tenho para repartir
são sonhos mal dormidos,
maus conselhos
e fantasias com validade vencida
pelo cantar de galos precipitados.

alguém se habilita?


® Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”