sábado, outubro 21, 2006


PRÊMIO NOBEL PARA NERUDA

Foi no dia 21 de outubro de 1971, exatos 35 anos atrás, que o Poeta chileno Pablo Neruda, uma das mais fortes vozes da poesia latino-americano, receberia o Prêmio Nobel de Literatura. Este reconhecimento acabou alavancando sua poesia, tornando-o um dos poetas mais populares do século passado.

sexta-feira, outubro 20, 2006


Ora direis, colher pitangas

No dia nacional do poeta, ao invés de palavras, fui colher pitangas. Surpreendido ao chegar na casa da minha mãe com um pote de pitangas maduras sobre a mesa, me dei conta que a vizinha dela, Natalina, tem algumas pitangueiras no quintal e uma delas, carregadíssima. Todas maduras, pedindo para serem colhidas. Aí me lembrei dos poetas que todos os anos nos ajudam a plantar uma pitangueira, árvore símbolo do Congresso Brasileiro de Poesia e lembrei ainda da cachaça típica mineira que o Hugo Pontes me trouxe e decidi que a tarde era ideal para colher pitangas.
Com a ajuda do Piriquito (Dom Quixote tinha o Sancho Pança, eu tenho o Piriquito) empoleirado sobre uma escada, não foi tão demorado encher uma sacola de deliciosas pitangas, que terão a missão de entrar em tempo de maturação para esperar os poetas no próximo congresso, em forma de licor.

LICOR DE PITANGA

Colhidas as pitangas, aproveitei a cachaça que o poeta Hugo Pontes me trouxe de Poços de Caldas e preparei o licor que ficará à espera dos poetas no próximo encontro.

quinta-feira, outubro 19, 2006


Ode ao Vinho

©ARTUR GOMES

para Ademir Bacca
meu irmão de poesia e vibração


vinho é tudo quanto bebo
tinto branco branco tinto
especialmente o brasileiro
das cantinas das colônias
das uvas finas de Bento
bebida de zeus e de baco
deuses do olimpo e do sacro
líquido com que me alimento
em festa e consagração
qual uma doce eucaristia
em comunhão feito missa
a celebrar poesia

da uva a seiva o fermento
o sagrado tempo da cura
até os lábios no cálice
sorver a santa doçura
na língua e no pensamento
vinho eu bebo rezando
em juras de amor ao momento
de olhos sorrindo pros céus
benditas mãos sejam tantas
as que trabalham os vinhedos
e sabem do fruto o sagrado
colher o milagre entre os dedos


Arte: Baptistão

Nasce o mestre brasileiro

Em 19 de outubro de 1913, nasce no Rio de Janeiro Vinícius de Moraes. A carreira diplomática em Los Angeles, onde serviu como cônsul por cinco anos, o deixou afastado da música. A parceria com Toquinho nos últimos dez anos de sua vida, o lança em excursões intermináveis e o transforma numa estrela.

Poema para todas as mulheres

Vinicius de Moraes

No teu branco seio eu choro.
Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
E se embebedam do perfume do teu sexo.
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
Confuso, criança para te conter!
Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!
Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!
Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.
Ai! teus cabelos recendem à flor da murta
Melhor seria morrer ou ver-te morta
E nunca, nunca poder te tocar!
Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos...
Correi, correi, ó lágrimas saudosas
Afogai-me, tirai-me deste tempo
Levai-me para o campo das estrelas
Entregai-me depressa à lua cheia
Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me o cântico dos cânticos
Que eu não posso mais, ai!
Que esta mulher me devora!
Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!


Poema extraído do livro "Vinicius de Moraes — Poesia completa e Prosa", Editora Nova Aguillar — Rio de Janeiro, 1998, pág. 262.

sexta-feira, outubro 13, 2006



"Trio" by Juan Alberto

sossego

gosto
quando invades
minha noite
com o mar aprisionado
no olhar.

é prenúncio de manhã
de calmaria.


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
intromissão

a vida
no avançado
da noite
sem pedir
licença
bebe
no mesmo
copo
comigo
meus derradeiros
goles
de razão.


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
NOVAS ANTOLOGIAS DO SUR/BRASIL

Durante a realização do XIV Congresso Brasileiro de Poesia, o Proyecto Cultural Sur/Brasil lançou os volumes 3 e 4 de sua coleção intitulada “Poesia do Brasil”.

quinta-feira, outubro 12, 2006

POESIA GOIANA NA SERRA GAÚCHA

Aidenor Aires

Serra Gaúcha. Quase Europa. Primeiro mundo nosso. Ali se esquece as favelas, as hordas miseráveis que os políticos vão mantendo em regime de cestas básicas, para que possam continuar comendo caviar e bebericando uísque. Na Serra a paisagem deslumbra. O planeta continua bailando no orgasmo original. Terra querendo nuvem e azul querendo o verde.Vontade de gritar feliz e abraçar. De dois a sete de outubro realizou-se em Bento Gonçalves, de heróicas memórias farroupilhas, o XIV Congresso Brasileiro de Poesia, o XIV Encontro Latino-americano de Casas de Cultura e a XI Mostra Internacional de Poesia Visual. Esses eventos fazem parte do Proyecto Cultural Sur-Brasil que tem como timoneiro o poeta Ademir Bacca. É o responsável ou facilitador de todas as edições desses eventos. O Congresso sempre contou com a participação dos goianos. Desta vez, na antologia “Poesia do Brasil”, lançada durante o evento, comparecem onze, entre os 33 participantes. E lá estávamos, presentes ou em saudade: José Mendonça Teles, Luís de Aquino, Sônia Ferreira, Célia Siqueira Arantes, Elizabeth Caldeira, Geraldo Coelho Vaz, Alcione Guimarães, Aldair Aires, Edival Lourenço e este cronista. Foram dias de grande atividade cultural, envolvendo as escolas, a comunidade. As vitrines das lojas, os pisos dos teatros, em todos os lugares, textos poéticos. Nas praças, recitais. Pelas ruas, salões, bibliotecas, performances e shows. Lugar propício à liberação da alma no milagre da linguagem. A genialidade interpretativa do poeta e ator Gidu Saldanha. Célia Siqueira, de interminável juventude, declamando pelas praças. José Mendonça, de tantas artes, levantando cantos de amor, até receber uma homenagem como o Pioneiro e presença constante do Congresso. Emocionados, bebemos um pouco da glória de nosso historiador e poeta. Mas não se pode esquecer o recital “Cantares da América”, com Beth Araújo, “A Voz dos Povos”, com Claufe Rodrigues e Mônica. Maria Pompeu. “Torre de Babel”, apresentado por Artur Gomes. Lá estavam os goianos deitando falas. Mais os “Poetas na Escola”, as homenagens ao centenário de Quintana. Artes Plásticas, teatro, música e poesia, sempre poesia, de todos os estilos. Da silenciosa proposta do poema visual de Hugo Pontes, ao cordel de Edmilson Santini. Da contida e profunda palavra de Cristiane Grando, ao lirismo de Andréa Motta, à telúrica energia da peruana Glória Dávila. Gilberto Maha, iluminado na neblina da Serra. Wilmar Silva universalizando cantos de Minas. Tanta gente. Tanta beleza, tanta poesia. No próximo Congresso, lá estaremos celebrando a vida, recolhendo o humano escondido nas solidões de cada um de nós. Vida longa ao poeta Ademir Bacca! Ele vai tornando este mundo um lugar ainda possível de habitar. Faz da Serra Gaúcha um lugar de encontro de todas as vozes. Um Mercosul espiritual, onde as mercadorias de troca são a inspiração, a beleza, o talento e os abraços.


* Aidenor Aires é escritor, da Academia Goiana de Letras

quarta-feira, outubro 11, 2006

Arte: Javad
JOHN LENNON
09/10/1940 – 08/12/1980

Não fosse a imbecilidade humana, nesta semana JOHN LENNON estaria completando 66 anos de idade. Sabe-se lá o que ele poderia ter produzido não fosse o ato tresloucado de Mark Chapman naquele 8 de dezembro de 1980, que acabou definitivamente com os Beatles. De todas as suas músicas, a mais tocada até hoje é “Imagine”, cuja tradução da letra divido com vocês.

IMAGINE

Imagine que não exista nenhum paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje...

Imagine que não exista nenhum país,
Não é difícil de fazer.
Nada porque matar ou porque morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz...

Imagine nenhuma propriedade,
Eu me pergunto se você consegue.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.
Você talvez diga que sou um sonhador,
Mas eu não o único.
Eu espero que algum dia você junte-se a nós,
E o mundo viverá como um único.
esquinas
são cemitérios
de olhares

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”

Grupo Simplesmente Poesia
Há alguns anos já que o Grupo Simplesmente Poesia, do Rio de Janeiro, se constitui numa das principais atrações do Congresso Brasileiro de Poesia. Neste ano trouxeram dois espetáculos: "Eu Passarinho", em homenagem ao poeta Mario Quintana, e "Se cobrir é circo, se cercar é hospício". Ambos elogiadíssimos por todos. Acima, Jorge Ventura, Rosa Born e Dalmo Saraiva. Ao centro, Laura Esteves e Silvio Ribeiro de Castro. Abaixo, Angela Carrocino e Delayne Brasil.
primavera

os vôos
de todos os pássaros
parecem partir
de dentro de mim.

quantos chegarão
ao seu ninho?


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
O lançamento das antologias
O lançamento das antologias do Café Filosófico 'Das Quatro" e do Proyecto Cultural Sur, mais do que uma sessão de autógrafos foi um agradável reencontro com poetas queridos, que geralmente ocorre quando da realização do Congresso Brasileiro de Poesia. Acima um flagrante que divido com Hugo Pontes, Telma da Costa, Edith Janete Schaeffer, Artur Gomes, Andrea Motta e Paola Caumo.
do suor
faço o fruto do dia
que sacia fantasias

do sonho
faço o alimento
que me corrige a rota
todos os dias.


© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”

JOÃO CARLOS SCHMITT

Por uma daquelas felizes coincidências da vida, na véspera da abertura do XIV Congresso Brasileiro de Poesia eu e o poeta Artur Gomes bebíamos um vinho no Dois Coqueiros quando passou por nós o ex-prefeito de Nova Prata, João Carlos Schmitt, que foi o grande responsável pelo surgimento do nosso evento. Foi ele, na metade de 1989, que me procurou aqui em Bento Gonçalves querendo que eu o ajudasse a colocar sua cidade no mapa cultural do estado. Depois de alguns dias, apresentei-lhe a idéia de um congresso de poetas e ele prontamente comprou a idéia. Em três edições realizadas em Nova Prata, a cidade ganhou uma projeção que até hoje é lembrada por poetas de todo o Brasil. Encontrá-lo em Bento Gonçalves na véspera da abertura da décima-quarta edição do evento só pedia mesmo ser sinal de sorte. E foi: de todos os congressos já realizados em Bento Gonçalves, este foi, sem dúvidas, o melhor de todos.