sábado, agosto 16, 2008

Arte: FRAGA
DORIVAL CAYMMI
1914 - 2008

O Brasil ficou mais triste neste dia 16 de agosto, com a morte de DORIVAL CAYMMI, um dos grandes expoentes da música popular brasileira. Nascido na cidade de Salvador, no dia 30 de abril de 1914, Caymmi sempre foi um enaltecedor das coisas e dos costumes baianos e cantou como poucos as belezas e a gente da sua terra.
Compôs sua primeira música com dezesseis anos, mas seu primeiro sucesso veio com “O que é que a baiana tem”. Sua estréia como cantor e violonista se deu aos 20 anos, na rádio clube da Bahia. Aos 23 mudou para o Rio de Janeiro em busca de emprego como jornalista, onde trabalhou nos Diários Associados. Em junho de 1938 estreou na rádio, onde cantou “O que é que a baiana tem”, canção que impulsionou a carreira de Carmen Miranda no exterior. Ao longo dos anos compôs em torno de cem músicas, algumas delas incorporadas à seleta lista das mais importantes do cancioneiro brasileiro, entre elas “É doce morrer no mar”, “Oração de Mãe Menininha”, “Suíte dos Pescadores”, João Valentão”, “Maracangalha”, “Acalanto”, “Marina”, etc.

Arte: Gogue

31 ANOS SEM ELVIS

ELVIS ARON PRESLEY nasceu no dia 8 de janeiro de 1935, em Fast Tupelo, no Mississipi. Estreou em 1954 e até sua morte, cumpriu uma trajetória fantástica no cenário da música mundial, tornando-se o rei do rock. Explorando a fantástica voz e movimentos sensuais do corpo, Elvis tornou-se rapidamente uma sensação internacional, mesmo tendo sofrido com o preconceito de uma sociedade conservadora como o era a americana naqueles anos. Passando por cima de todos os obstáculos, Elvis emplacou dezenas de músicas nas paradas de sucesso e além de iniciar uma nova era musical que influenciaria músicos de todos os continentes, tornou-se o primeiro mega star da música popular, arrebanhando uma legião incalculável de fãs que sobrevive até hoje, trinta e um anos após a sua morte, ocorrida no dia 16 de agosto de 1977.

terça-feira, junho 24, 2008

Arte: “Geflick” © Charito Gil

A estrada e a canção

mesmo que a estrada
não dê no mar
e nem no alto da montanha
mesmo que ela passe
ao largo do rio
e faça tantas curvas
antes de chegar ao seu destino,
não importa aonde ela vai dar:
na verdade,
nós sempre voltamos ao mesmo lugar

é a velha canção da infância
quem costura as nossas lembranças
é o murmurar das mesmas palavras de sempre
quem acalenta os nossos sonhos mais caros

mesmo que a estrada nunca passe
por todos os lugares
onde planejamos um dia parar,
ainda acordo todos os dias
cantando aquela velha canção.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
instinto animal

tem vezes que sou
bala perdida
no meio do caminho.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
NA FEIRA DO LIVRO DE RIBEIRÃO PRETO

A tradicional Feira do Livro de Ribeirão Preto, realizada sempre no mês de junho, mais uma vez contou em sua programação com sessão de autógrafos de antologias publicadas pelo Congresso Brasileiro de Poesia. Neste ano foram duas: o volume 6 de “Poesia do Brasil” e “Contos Mínimos, Idéias Máximas”. Depois dos autógrafos, pit-stop obrigatório na Cervejaria Pinguim para recarregar as baterias. Dividiram o momento comigo: Salete Henkes, Telma da Costa, Lourenço de Bem, Jeanne Mas, Rosa de Britto Cosenza e Eunice Dias.

na cumplicidade dos teus encantos

barco que navega
no rio dos teus olhos
a palavra,
não tem pressa em chegar
ao poema

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
VIGÍLIAS

© Jade Dantas

Queria entender-se nas noites serenas onde as lembranças que lhe pousavam na pele eram carícias de ondas tranqüilas à beira-mar.
Sono doce de algodão, ausente o desalento das outras noites de mar revolto, as lembranças galopando pelo corpo, traçando uma rota de fogo e desejo que nenhum outro corpo, nenhum outro abraço, nenhum outro beijo, conseguiria acalmar.
Queria entender o segredo das fragilidades.

(do livro “Pelo Avesso”)

Arte: Abstrato 031 © adebach

das diferenças

em mim
a ousadia dos poetas

em ti
a cautela dos que têm
a cabeça no lugar

em mim
a ponte que aproxima

em ti
o dique que segura
as águas perigosas
da paixão

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
poema inacabado

vem do nada
a melodia que embala a noite
de pouca ternura

o mar lambendo a praia
sob os meus pés
(des)armados os espíritos,
a música não revela os segredos
daquela que vai embora
levando todas as palavras
do poema

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
Arte: “The wall of no-words” © Alberto G. Baccelli

VISITA À BIBLIOTECA COMUNITÁRIA MARIO QUINTANA

As meninas Emanuelle e Thainá, indicadas pelo Congresso Brasileiro de Poesia, foram escolhidas as “Amigas do Livro/2008” e receberam, durante a 23ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, o Troféu Adyles Ros de Souza. Criadoras da Biblioteca Comunitária Mario Quintana, aberta gratuitamente aos moradores do Bairro Universitário diariamente na parte da tarde, Emanuelle e Tainá não apenas se transformaram no centro das atenções da feira, como também despertaram o interesse da mídia de toda a região e do estado. O fato inédito de duas meninas, uma com dez e a outra com onze anos, de abrir uma biblioteca comunitária no porão da casa de uma delas, tornou-se um exemplo de que investir na formação de novos leitores é um caminho que deve ser levado a sério pelos nossos dirigentes políticos.
Entusiasmadas com as doações que poetas integrantes do Congresso Brasileiro de Poesia fizeram a partir de convocação geral feita pela coordenação do evento, as meninas viram o acervo da pequena biblioteca crescer de forma impressionante. O que eram pouco mais de cem livros no início, quase chegam a três mil atualmente.
Durante a Feira do Livro, estivemos visitando a Biblioteca Mario Quintana, quando o patrono Airton Ortiz fez a doação de uma caixa de livros, inclusive um belíssimo e raro exemplar sobre a vida do poeta maior do Rio Grande do Sul, que Emanuelle e Tainá homenagearam com o nome da sua biblioteca.
Participaram da visita também o vice-prefeito de Bento Gonçalves, Jaury da Silveira Peixotto, e a Coordenadora da Biblioteca Castro Alves, Eunice Pigozzo.
ENCONTROS NA FEIRA DO LIVRO DE BENTO GONÇALVES (2)

Outro reencontro muito agradável foi com o escritor IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO, também antigo apoiador de nossos projetos. Na verdade, Loyola foi o primeiro escritor fora do estado gaúcho a incentivar o movimento literário de Bento Gonçalves, que ainda engatinhava no início dos anos 80. Seu livro “Zero” liderava a lista dos mais vendidos no eixo Rio-São Paulo quando ele esteve autografando aqui pela primeira vez. Depois foram tantas outras vezes, o que acabou por transformá-lo em um patrono ‘honorário’ da nossa feira.
ENCONTROS NA FEIRA DO LIVRO DE BENTO GONÇALVES (1)

Feira do Livro sempre é sinônimo de reencontros. A de Bento Gonçalves, todo ano tem me proporcionado a oportunidade de rever alguns escritores que têm acompanhado o processo cultural em que estamos envolvido ao longo dos anos, especialmente o Congresso Brasileiro de Poesia. O poeta AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA foi um dos primeiros apoiadores do evento e inclusive esteve na primeira edição do congresso, realizada em Nova Prata, no ano de 1990. Grande poeta e acima de tudo um grande amigo que a poesia colocou em meu caminho.

quinta-feira, março 20, 2008

Arte: Olbinski

Arte: El Jota Leal
“Como posso querer
que meus amigos entendam
as coisas loucas que se passam
pela minha cabeça,
se eu mesmo, não entendo.”

SALVADOR DALI
1904 - 1989
da condição do poema

o poema
não pode ser
só um poema
tem que ser mais,

estrada a seguir,
mapa para se situar

o poema
tem que ser mais
que só um poema

tem que ser a faca que sangra,
tem que ser o álibi que salva

o poema
não pode ser
só palavra que consola
no meio da noite

tem que ser porta aberta
a todos os sonhos
tem que ser porto aberto
para todos os barcos

o poema
na madrugada
tem que ser mais
que caminho para o amanhecer

tem que ser corpo
para todos os abraços,
trama e surpresa

o poema
não pode ser
só um poema
no fim da estrada,
tem que ser mais,

tem que ser ponte
entre a paixão e a palavra,
tem que ousar e ir em frente

todo poema
tem que soltar as amarras
e voar

todo poema
tem que destruir muros
e remendar esperanças
tem que ter a força dos insensíveis
e a delicadeza daqueles que apostam
em novas manhãs.

o poema
não pode ser
só um poema
tem que ser mais,

tem que ter a precisão
de bala perdida
e acertar em cheio
o peito de quem o lê

senão, não é

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
... e por falar na Páscoa... (2)Arte: Angel Boligán


Arte: William
“E ninguém é eu,
e ninguém é você.
Esta é a solidão”.

CLARICE LISPECTOR
1920 - 1977
conversa de pescador

por mais emoções
que eu pesque
da imaginação,
sempre fico
com a impressão
que dava para tirar
outras melhores
de dentro do rio
que brilha no teu olhar

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: "Pés" © Misha Gordin

ÍNTIMA FRAÇÃO

© ANDREA MOTTA

surdos meus pés
gritam a distância
disfarçada

curvos
adjetivados
pela hora tardia

das estranhas noites
contam espinhos
obscenos

turvos
semeiam
e colhem a palavra

(Para Rubens da Cunha)
... e por falar na Páscoa... (1) Arte © Angel Boligán

mel
e veneno
nos teus lábios
se confundem

geralmente
procuro o doce
mas confesso
que algumas vezes
a tentação do veneno
me apetece.

© Ademir Antonio Bacca

sexta-feira, março 07, 2008

Arte: Im bikini © Charito Gil

gritos por dentro das palavras

que gritos
esconde por dentro
a palavra quando cala?

que emoções
prende dentro de si
o coração quando para?

que medos
traz escondidos em si
o corpo quando fala?

que palavras
esconde a língua
quando não fala?

que mistérios
esconde a noite
quando ela absorve o dia?

que segredos
escondem as janelas
quando se fecham, caladas,
ante nossos passos?

tantos gritos
tantas emoções
tantos medos
tantos mistérios
tantos segredos
tantas palavras
aprisionados
dentro de cada corpo
que cala

© Ademir Antonio Bacca
do livro”Gritos por dentro das palavras”

do alcance da imaginação

o mundo
das minhas fantasias
é muito grande
para ser visto
pelo buraco
da tua fechadura

© Ademir Antonio Bacca
Poema Visual "Triunfo da Poesia" © Fernando Aguiar

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.

ALBERTO CAEIRO
pedido

não ponha
palavras
nos meus olhos

deixe que eles
te vejam
do jeito que
eu te imagino

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
Arte: David Levine
“A vida é uma pedra de amolar:
desgasta-nos ou afia-nos,
conforme o metal
de que somos feitos”

GEORGE BERNARD SHAW
todo amor
quando acaba
deixa um fantasma
a abrir e fechar
as portas da casa
dentro da noite
vadia.

© Ademir Antonio Bacca

sábado, fevereiro 16, 2008

Arte: Henrique Rodrigues Pinto
“Um bom poema é
aquele que nos dá
a impressão de que
está lendo a gente
e não a gente a ele”.

MARIO QUINTANA

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

arte: "The unfinished symphony" © Ben Goussens

porto seguro

recolho as velas
toda vez que aporto
em teu corpo
vindo de uma noite
de palavras à deriva

No aconchego
dos teus braços refaço
o mapa do poema

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
Arte: Paruas
“Escrever é uma luta contínua com a palavra.
Um combate que tem algo de aliança secreta.

JULIO CORTAZAR
1914 - 1984

tudo errado

espia
a vida
que passa
por ela
a moça
debruçada
na janela

ao invés
de correr
atrás dela

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”
Arte: Jairo Linhares
“As massas humanas mais perigosas
são aquelas em cujas veias
foi injetado o veneno do medo.
Do medo da mudança. “

OCTAVIO PAZ
1914 - 1998
grafite

teu nome
grafitado na parede
da memória
é marca que ficou
em mim
de um tempo
que o teu relógio
não contou.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”

A FORÇA DA PALAVRA

© LAURO KISIELEWICZ

A palavra tem uma força descomunal...
contém uma energia, sobrenatural...
Tanto agride e desconcerta
quanto consola na hora certa...
Mal usada desencaminha e destrói
Bem aplicada, orienta e reconstrói...
precipitada, magoa e ofende
refletida, é escudo que defende...
Pode muito mais do que se imagina,
Deprime, mas acaba com a rotina;
Desfaz crenças e desperta a Fé;
Desencaminha e também orienta;
Liberta, aprisiona, apascenta...
Propala engodo, mostra verdade...
Expressa ódio, indiferença, calor
Liberando a energia nela contida
podemos modificar nossa vida,
externando positivamente
de forma clara e consistente
que queremos, podemos e devemos
Viver em Paz e com Amor!
Crendo, realizar-se-á,
Pela força que na Palavra há!

domingo, janeiro 27, 2008


Arte: © ALT
"A música se faz para emocionar,
para serem amáveis as horas
de quem trabalha.
A música deve ajudar o homem
a sonhar e dormir tranqüilo,
para que amanhã siga trabalhando.
Para pôr estrelas na noite,
para isso é a música."

ATAHUALPA YUPANKI
1908 - 1992

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Arte: De Los Rios
Salvador Dali, o maior ícone da pintura surrealista, nasceu em 11 de maio de 1904, na cidade espanhola de Figueras, região que foi também uma espécie de pano de fundo para grande parte de sua obra. Tornou-se uma figura popular com aqueles bigodes enormes. Era artista e showman na divulgação da própria obra. Em 1922 obteve o reconhecimento da Associação Catalã de Arte e no mesmo ano matriculou-se na Escola de Belas Artes de Madrid, onde ficou até 1926, conhecendo Frederico Garcia Lorca, Luís Brunuel. Foi estudar pintura em Madri (1921-1926) quando já possuía boa bagagem artística. Foi nessa época que fez amizade com o poeta Lorca. Sua primeira exposição individual aconteceu em 1925, na Galeria Dalmau (Barcelona).
Surrealista desde 1928 (ano em produziu, com Buñuel, o filme "Un perro andaluz" e se incorporou ao grupo surrealista em Paris). Em 1938, fiel ao mesmo tipo de pintura, modificou sua orientação temática. Casou-se com Gala Eluard , que além de ser a musa inspiradora, foi uma grande colaboradora e organizadora de seus afazeres. Sua melhor produção é considerada a que pintou entre os anos 29-39, quando criou suas obras mais famosas. Conferiu à sua obra sempre uma aparência acadêmica com impecável precisão fotográfica.
O início da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos alemães sobre a França, em 1940, levaram Dalí a fugir para os EUA, onde ficou oito anos. A América também despertou seu lado exibicionista, tornando-o uma super-celebridade.
Porém, os últimos anos de Salvador Dalí foram obscurecidos por um distanciamento de Gala, que morreu em 1982. Em 1986 sofreu graves queimaduras por causa de um incêndio, ocorrido em seu quarto. A partir de então viveu prostrado em uma cama na torre do Museu de Figueres até a sua morte, em 20 de janeiro de 1989, anos 84 anos de idade. Seu corpo embalsamado está enterrado em uma tumba sob a cúpula do Museu de Figueres.
Arte: Mario Alberto
No país do futebol, palco por onde desfilaram alguns dos maiores craques de todos os tempos, berço de Pelé, o melhor de todos, alguns privilegiados tiveram o prazer de ver em ação um anjo de pernas tortas cujo futebol encantou o mundo, embora sua estrela tenha se apagado precocemente. Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, nasceu na cidade de Magé, no dia 18 de outubro de 1933. Vestindo a camiseta do Botafogo e da seleção brasileira, conquistou títulos e a glória, garantindo escalação na galeria dos craques de todos os tempos. Mas ele que driblou tantos laterais, acabou parado pela bebida que o afastou precocemente dos estádios, ofuscando a glória conquistada dentro do gramado. Morreu vitimado pela cirrose no dia 20 de janeiro de 1983 e nunca mais o mundo redescobriu a magia e o talento daquelas pernas tortas.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Arte: "After 12" © 2004 Wahnfried 1959

teia

a noite cai
sobre mim
feito armadilha
tecida
de silêncios
e mais nada

nenhuma palavra
nenhum passo

só o tempo
tecendo a teia
com retalhos
da saudade

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Grito por dentro das palavras”

não tão frágeis

na mesa do prazer
nem todas as taças
são de cristal

algumas paixões
são duras de se quebrar.

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Grito por dentro das palavras”
Arte: "O prazer da leitura" © Ares

em teus olhos
nunca correrão
águas calmas

mar bravio
a se aventurar
com cautela

azul que fascina
e atraiçoa:

no teu olhar,
de sede
também se morre
diante do cais.

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “O Relógio de Alice”

quarta-feira, novembro 14, 2007

Arte: The Guardian © Ben Goossens

toda palavra

toda palavra
devora entranhas
e alimenta medos

toda palavra
que corta fundo
reparte o sangue
entre a terra
e o corpo

mas toda palavra
que cala,
divide dois mundos
para sempre

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
Arte: Tentação e Corrupção © ANGEL BOLIGÁN


dos sabores

doce
a melancolia
que me invade,
de mansinho,
mal anoitece o dia
e consola,
feito música,
que vem não se sabe
de onde

doce
a tua lembrança,
que volta
e envolve feito abraço
nunca esquecido

amargo
aquele que não se rende
à saudade
e deixa fechadas
as janelas da memória

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”



de dores & dúvidas

essa dor
começou
no exato momento
em que ela
foi embora

um buraco
no meio do peito

será
que meu coração
foi junto?

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

segunda-feira, outubro 29, 2007



Asterix & Obelix

Para os fãs de histórias em quadrinhos, o dia 29 de outubro tem um significado muito especial, pois foi nesta data, no ano de 1959, que foi publicado o primeiro número de Asterix e Obelix. Aconteceu na França. Trata-se de um dos mais exitosos êxitos da história dos quadrinhos mundial, criada por Alberto Uderzo e René Goscinny. Mesmo com a morte de Goscinny, em 1977, a dupla de gauleses continuou fazendo sucesso pois sua filha Sylvie, passou a dividir a criação com Uderzo.
As histórias de Asterix e Obelix foram traduzidas para mais de 100 idiomas e estão reunidas em 33 álbuns, além de terem inspirado 11 adaptações para o cinema e inspirado a criação de jogos, brinquedos e até um parque temático.

quinta-feira, outubro 18, 2007


CHUCK BERRY

Em 18 de outubro de 1926, nasce Chuck Berry, numa família modesta de Saint Louis, Missouri. Ele já tocava guitarra na adolescência, mas parou com a música durante os três anos que passou num reformatório, por tentativa de roubo. Berry é considerado um mito do rock, comparado inclusive a Elvis Presley.
Vista do centro de Bento Gonçalves nos anos 60, aparecendo em primeiro plano, à esquerda, a escola General Bento Gonçalves da Silva, onde também funcionava o Colégio Mestre Santa Bárbar, no qual eu e Cimenti estudávamos.


Dia da criança

© JAIME CIMENTI

Não tenho saudades da minha infância. Ela está aqui comigo, concreta como uma fantasia real. Pego-a como se fosse um cacho de uvas, degusto-a feito um galeto com polenta e a sorvo como se fosse uma gostosa sopa de capeletti. Os anos a trazem cada vez mais. Modéstia à parte, ou modéstia à pqp, nasci numa das partes mais bonitas de uma certa Europa, Bento Gonçalves, Serra gaúcha. A revista Veja desta semana chamou minha cidade e outras onze de "o vale da felicidade, um Brasil Europeu, de Primeiro Mundo, a uma hora de Porto Alegre". Não exagerou. Ao contrário, até foi comedida. O vale da felicidade é até melhor do que a Europa. É o novo, o futuro que já chegou, cheio de crianças, esperanças, distribuição de renda e outras maravilhas. É uma espécie de região nórdica sem tantas rochas, frio, planejamentos, impostos e suicídios. Saí apenas fisicamente de Bento em 1966, aos doze. Bento jamais saiu e sairá de mim. Lá eu vi pela primeira vez a luz do sol e vivi a melhor e mais importante fase da minha vida. Posso não ter feito muita coisa, posso não ter sido um Da Vinci, um Michelangelo, mas só ter nascido em Bento já é muito e demais para um ser. Meu velho amigo Jader Tagliari ainda está lá, minha querida professora Adyles Ros de Souza, que me animou a escrever, está lá (se não aprendi, a culpa é minha). O caríssimo Ademir Bacca segue agitando os lances culturais em Bento e no Brasil. Minha memória seletiva vai se encarregando de esquecer as poucas coisas ruins daqueles verdes anos. Melhor lembrar só as boas. O perfume dos parreirais maduros da família Benedetti, na Linha Salgado, iluminados apenas pelo luar das noites de verão, é lembrança mais do que suficiente para encher os balões de muitos dias da criança. Lembrar de meus dias de guri em Bento e ler sempre as notícias boas da Capital Brasileira do Vinho, que agora tem um finíssimo Spa do Vinho à moda européia, me aquece a alma, me faz pular da cama e ir adiante.Me faz pensar que nós e o Brasil temos outra saída além do aeroporto. Direita? Esquerda? Tropa de Elite? Traficantes? Câmara e Senado? Melhor pensar nas partes do Brasil que dão certo, que vão para a frente, movidas pela energia do trabalho, da alegria e, claro, de um vinhozinho bom. A força desse exemplo e desse pensamento vai nos ajudar a refletir e agir sobre o País que queremos e merecemos.

*
JAIME CIMENTI é escritor e colunista literário do Jornal do Comércio, de Porto Alegre, onde esta crônica foi publicada originalmente, além, claro, de amigo de infância deste poeta.

sábado, outubro 13, 2007

Arte: Willian

PAULO AUTRAN
1922 - 2007

Na noite de ontem, caiu o pano para o espetáculo derradeiro do maior nome do teatro brasileiro de todos os tempos. Paulo Paquet Autran, carioca da gema, se foi aos 85 anos deixando para trás o rastro de 90 peças teatrais, filmes e novelas para a televisão.
Tinha tamanha afeição pelo Rio Grande do Sul que em 2000, ao receber o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre dizer que “a cada vez que eu vinha ao Rio Grande com uma peça, ficava feliz com o sucesso, mas com uma sensação de inferioridade. Isso porque eu pensava: ‘eles são gaúchos e eu não”. Agora, sou tão gaúcho como vocês”.
Fumante inveterado, ao se referir ao vício dizia: “fumo porque sou burro”.
A FESTA DE BACCA

© ROGERIO SANTOS

na verve do vinho
há tinta de sangue
que jorra no verso

na taça onímoda
o brinde-cidade
da festa de Bacca

sagrada vindima
colheita bendita
tinteiro de Baco

enfeita a fruteira
centelha poema
de átomo ato

( Para o poeta Ademir Bacca )
Doris Lessing:
Um Nobel feminino para a Literatura

Autora de obra vasta, variada e marcada pelo feminismo e pelo compromisso político, a britânica DORIS LESSING foi escolhida para receber o Prêmio Nobel de Literatura 2007.
Os livros de Lessing inspiraram feministas, esquerdistas e militantes anti-racismo. Sua ficção montou um grande panorama das tensões do século XX. O livro que a projetou internacionalmente foi “O Caderno Dourado”, lançado em 1962, e retrata a encruzilhada da condição feminina, o comunismo britânico e a guerra colonial da Rodésia do Sul. O que há de mais novo nas livrarias da autora é “O sonho mais doce”, na qual a autora faz um balanço amargo das utopias do século passado.

terça-feira, outubro 09, 2007

Arte: Stilleben mit der goldenen taschenuhr © Von Pavel Kaplun



dois

toda paixão
é jogo de dois

dois corpos
dois medos
duas possibilidades

toda paixão
é um sonho
fragmentado
em dois

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Gritos por dentro das palavras”

Arte: W. Fornero
MORRE CHE GUEVARA

No dia 9 de outubro de 1967, morria assassinado no vilarejo isolado de La Higuera, na Bolívia, o guerrilheiro Ernesto Che Guevara. Capturado no dia anterior, Che foi morto pelo suboficial do exército boliviano Mario Terán. Seu corpo ficou desaparecido por 30 anos, o que acabou contribuindo para transformá-lo num ícone mundial de todos os movimentos esquerdistas, embora muitos dos que usaram seu nome em vão estejam hoje de braços dados justamente com aqueles a quem Che combatia.
Tropel

emoções
e fantasias
galopam
em mim
lado a lado
perigosamente

no baixar
da poeira
nem sempre
repenso
os meus medos

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”



NASCE JOHN LENNON

No dia 09 de outubro de 1940 nascia John Lennon, o mais famoso dos Beatles. Se estivesse vivo, estaria completando 67 anos hoje. Mas teve sua história terminada aos 40 anos, quando foi assassinado em 1980. Sua música, sua mensagem, sua imagem e influência, porém, ainda são estrelas guias de gerações de fãs que se sucedem a cada ano que passa.

do que me basta

eu já não quero mais
a loucura da paixão

a mim me basta te amar
assim meio sem jeito,
feito menino aprendiz

já não me atraem
as luzes todas da sedução

há muito,
mariposa descuidada,
que me deixei enganar
pelo brilho indecente
do teu olhar.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
BETTE DAVIS

A diva de Hollywood nasceu em 5 de abril de 1908, no estado de Massachutes, e morreu aos 81 anos de idade, no dia 6 de outubro de 1989. Atuou ao lado de Humphrey Bogart no início da carreira. Foi indicada oito vezes ao Oscar, e ganhou duas, por Perigosa (Dangerous) e Jezebel.
O POETA RÚSTICO

© OSCAR BERTHOLDO
1935 – 1991

Quando não houver mais o ofício
de guardar no corpo a razão de ser,
os arados conferirão as encostas,
terei a noite nas mãos.
Nunca soube medir as redondezas
das raízes nem o rosto fatal
dos que ainda não nasceram.
O vale é hóspede que se demora.
Meu outro lado necessário,
de dia nos olhos, de noite nos ouvidos
nem bem nos olhos e nos ouvidos
mas amplo dentro de mim –
árvore com as medidas dos frutos
a todos os que passarem.
Longe daqui sou condenado,
conheço a vida sem crepúsculo,
junto à mesa o sofrimento arde
como lenha seca, o tempo é lento.
Quando sós, as frutas são mais doces.
Sem ambições, nutro poemas serenos
cato seiva à força e
mais fundo o amor. Sou precário
no tamanho do mundo.

labirintos

a vida toda
tenho entrado
em labirintos
involuntariamente

de vez em quando
escapo de algum.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

quinta-feira, setembro 06, 2007

Arte: Joanne Brooker
LUCIANO PAVAROTTI
1935 - 2007

Morreu na madrugada desta quinta-feira, 6, o tenor italiano Luciano Pavarotti, aos 71 anos, em Modena, na Itália. A morte foi decorrência de um câncer no pâncreas Nascido na cidade de Modena, em 12 de outubro de 1935, Pavarotti teve sua primeira experiência musical no coro de sua cidade natal, no qual cantava com seu pai. Mais tarde, junto ao coral Gioachino Rossini, foi até o País de Gales para participar de um concurso internacional de canto. Venceram, e o evento aumentou a ambição do jovem Pavarotti de se tornar tenor. Estudou canto e conseguiu o diploma de maestro elementar. Mais tarde foi instruído por Arrigo Pola e por Ettore Campogalliani. Em 1961 venceu o prestigioso Concurso Internacional, que lhe deu a oportunidade de debutar, no mesmo ano, na ópera La Bohème, no papel do protagonista Rodolfo.
Pavarotti será sempre recordado pelos papéis principais que interpretou nos grandes clássicos da ópera mundial. Fez Aida, La Traviata, Madame Butterfly, Tosca, Pagliacci, Il Trovatore, Turandot, Baile de Máscaras, O Elixir do Amor, entre outros. Suas gravações dessas óperas estão entre as mais vendidas, inclusive Otelo, Andrea Chenier, Mary Stuart, Mefistófeles, Macbeth, Guilherme Tell e uma infinidade de obras, que fazem a carreira do tenor se confundir com a história da música clássica.
Seu álbum Pavarotti Essencial foi o primeiro disco clássico a alcançar o topo da parada pop britânica, ficando em primeiro lugar por cinco semanas. (Fonte: www.terra.com.br)