quarta-feira, agosto 30, 2006

Poeminha do abandono na hora crucial

Onde andará o meu anjo da guarda vadio
toda vez que eu sento numa mesa de bar
e me perco insensatamente a sonhar?


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “A Tragédia dos Anjos”
Faço de volta
os caminhos da paixão
certo de que o recomeço
é o remédio que cura
minhas dores.

Percorro a estrada do desejo
em busca dos sonhos
que deixei para trás.

Travessia de mim
para aquietar o corpo doído
de tantas paixões insensatas...


© Ademir Antonio Bacca


A magia do photoshop

Sou admirador daqueles que sabem explorar todos os segredos do photoshop. Este é um dos melhores trabalhos que já vi. Infelizmente, por aquelas falhas tão comuns na internet, não sei quem é o autor desta maravilha. Mas mesmo assim, divido-a com vocês.

janelas
fechadas
escondem
segredos
do coração


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
de
nada
me
vale
o
brilho
nos
olhos
se
sei
do
amargo
que
te
cala
o
beijo.


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
fogo brando

forjar a palavra
moldá-la ao gosto
do fogo do desejo

tirar dela
a imagem que faço de ti
nos meus delírios

forjar a fantasia
moldá-la ao sabor
do mel

para te fazer doce
tal o teu beijo
que ainda guardo
em mim.


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”

terça-feira, agosto 22, 2006

Arte: Baptistão

Maluco Beleza

Em 21 de agosto de 1989, morre Raul Seixas, um dos grandes músicos brasileiros. "Raulzito" gravou mais de 20 discos, teve cinco esposas e sofreu com o alcoolismo, que lhe rendeu uma pancreatite aguda, motivo de sua morte. Seu estilo fundiu o rock com todos os ritmos brasileiros, do xote ao baião.

Medo da Chuva

É pena
Que você pense que eu sou
seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir
Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao teu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E não pude viver

Eu perdi o meu medo
Meu medo, meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra
Traz coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram
sozinhas no mesmo lugar

E não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem
Aquilo que o padre falou
Porque quando eu jurei
Meu amor eu traí a mim mesmo
Hoje eu sei que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez
Uma vez

Eu perdi o meu medo
Meu medo, meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra
Traz coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram
sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que choram
sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que sonham
sozinhas no mesmo lugar


© Raul Seixas e Paulo Coelho


quinta-feira, agosto 17, 2006

pescador de palavras

imóvel
na barranca do rio
à espera do peixe
rebusco na memória
palavras adequadas
aos meus versos.

tem dias
que não pesco nenhuma
e me contento
com míseros lambaris...


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
dos descuidos

quando me deixo levar
pela paixão
abro todas as portas
e trago a tempestade
para dentro de mim...


© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”

segunda-feira, agosto 14, 2006

da hora

rever os erros
mostrar as feridas
abrir gavetas
soltar os bichos
e acertar as contas
com os fantasmas
escondidos no armário

rever a vida
esquecer os medos
negar tantas vezes
quanto necessário
os amores ingratos

rever os sonhos
exibir as marcas
fechar as portas
soltar de vez o grito
e depois dormir em paz

© Ademir Antonio Bacca

domingo, agosto 13, 2006

dia dos pais

tem dias
que a vida
é só saudade

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

sábado, agosto 12, 2006


Wojtek Siudmak
Artista plástico nascido na cidade de Wielún, Polônia, e atualmente radicado na França. É considerado um dos principais representantes do "fantastic realism". Pra quem gosta do gênero, vale a pena conhecer a obra.
Brava gente

terra estranha a nossa,
feita por mãos
que insistem no plantio
apesar das bocas
que não conhecem
o sabor do fruto
do próprio suor...

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
Engodo

o amor
não é
tudo
isso
que dizem
os folhetins.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Plano de Vôo”
Ternura esquecida

De repente,
um sorriso...
um abraço...
uma palavra de amor.
Coisas tuas
que me fazem esquecer
o cansaço e a insônia.

Coisas tuas que lembram
que dividimos um mesmo sonho,
um mesmo drama.

De repente,
um sorriso...
um abraço...
um beijo.
Coisas tuas
que me lembram
uma ternura esquecida,
perdida no tempo.

Em mim
e em ti.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “Asas e Coração”

sexta-feira, agosto 04, 2006


SERGEI APARIN
Artista plástico russo, nascido em Voronezh no ano de 1961, atualmente radicado em Belgrado. Descobri seus trabalhos em minhas navegações em busca de pintores surrealistas numa das minhas madrugadas insones. Este belíssimo trabalho se chama "In memory of my grandfather".
dos consolos

não lanço redes
ao rio
na ânsia de todos
os versos.

na madrugada
toda palavra
me consola

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
insônia

inventei tantos mundos
e abri tantas portas
em minha insônia
que tem noites
que não encontro o caminho
de volta pra dentro de mim.

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
Abstrato 0129 © Ademir Antonio Bacca
Técnica: Fractal - Programa utilizado: Apophysis
Retorno

Melancólico
deve ser o espetáculo
de retorno dos anjos
ao seu ponto de largada
depois de uma exaustiva
noite de boemia...

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “A Tragédia dos Anjos”

Quase lá
Foi mais uma partida daquelas que a gente ficou com o coração querendo sair pela boca, mas no fim deu tudo certo. Agora falta pouco para chegar lá: só ganhar do São Paulo. Claro que são outros quinhentos, mas quem garante que neste ano não será diferente de 26 anos atrás?
fratura exposta

mente em pedaços,
fragmentos de lembranças
expostas no meio da noite
que não leva a nada

(e a vida escorrendo
feito copo que tomba
e desperdiça verso precioso)

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”
corações rebeldes

há gente alegre nas ruas
onde alguns queriam
que houvesse silêncio
e mais nada

há vida que pulsa
sobre rodas antigas
onde alguns queriam
que houvesse medo
e mais nada

corações rebeldes
ainda pulsam em meio ao caribe

há música e poesia
nas ruas da velha havana
onde alguns queriam
que houvesse silêncio
e mais nada.


Havana, 04.02.002

© Ademir Antonio Bacca
do livro: “Plano de Vôo”